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Monday, 8 December 2008

London, London


Vem ver o Big Ben, vem! Vem tomar cha, vem! Vem respirar ares ingleses, vem! Eis o preco de tudo isso: o inverno Ingles. Essa eh Londres. Cidade multicultural, de liberdades mil, coracao financeiro da Europa, moderna, cosmopolita, culturalmente intensa.........

Bem, temos que lembrar de tudo isso para enfrentar o inverno. Quando a temperatura sobe uma coisinha, chove. Quando o sol aparece, a temperatura fica negativa. Vem ver a rainha, vem!

Boa semana a todos.

Nelson

Wednesday, 3 December 2008

R&N Trust


Gostaria de convidar a todos para o lançamento exclusivo do R&N Trust.

O R&N Trust é uma instituição sem fins nao-lucrativos que tem o objetivo de lutar pelo direito de livre e gratuito acesso a rapadura e chimarrão em Londres.

Essa instituição nasceu de uma necessidade legitima de uma minoria dentro de uma minoria da capital inglesa. É sabido que a diversidade é um emblema da cultura local e, como tal, consideramos legitimo a legitimidade de um direito adquirido e legitimo dentro de um estado legitimo governado por legitimo representantes.

Dentro dessa legitimidade legitima, estaremos fazendo vários rallies por toda Londres para criar awareness desse movimento único e, por conseqüência, legitimo. Já contamos com celebridades como Gaúcho da Fronteira e Falcao que já confirmaram presença nos eventos. Estamos também quase confirmando a presença de políticos ilustres como Ciro Gomes e Tarso Genro.

É importante salientar que dentro de um futuro legitimo, o R&N Trust pretende lutar pela unificação legitima do Rio Grande do Sul e Ceara. Geograficamente será um grande desafio legitimo, mas com a ajuda de uma massa legitima, podemos vencer todos os desafios. Não é uma geografiazinha que ira deter essa motivação legitima.

Já contamos com alguns materiais de campanha. Exclusivamente, vcs estão vendo aqui dois legítimos posters que estaremos afixando por toda Londres em breve.

Caso queiram fazer doações, estamos recebendo doações legitimas mínimas de 100 libras.

E viva a legitimidade!!!

Wednesday, 5 November 2008

E agora?


Meu povo, eu assisti hoje de manha o speech de vitoria do Obama e fiquei impressionado. Apesar de achar a repercussao dos resultados das eleicoes nos EUA um pouco over-the-top, eu tenho que confessar que fiquei emocionado. Querendo ou nao, ele estah fazendo historia. Eu queria entao dividir com voces o trecho que mais me chamou atencao alem de ver a Oprah chorando.

It's the answer spoken by young and old, rich and poor, Democrat and Republican, black, white, Hispanic, Asian, Native American, gay, straight, disabled and not disabled. Americans who sent a message to the world that we have never been just a collection of individuals or a collection of red states and blue states. We are, and always will be, the United States of America.

Abracao,

Nelson

Friday, 24 October 2008

Credit Crunch


Pessoal, não posso deixar a crise passar (se ela passar) sem um post sobre a dita cuja. Como todos sabem (se não sabe, ta bom de ler mais) o mundo nas ultimas semanas esteve as margens de um colapso que levou vários governos a injetarem bilhões de dólares em suas economias. O objetivo foi impedir que bancos entrem no buraco. Ora, não sou economista, mas tenho bom senso suficiente pra saber que as medidas foram acertadas e necessárias. Se um banco vai ao buraco, ele pode levar um pais inteiro e, a tiracolo, nós pobres mortais. Infelizmente estamos compulsoriamente engatados nessa mecânica. Justo ou não, é assim que o mundo está configurado. Como diria a fora-de-moda teoria do chaos, uma borboleta batendo asas em Kuala Lumpur, gera um tornado na Serra da Meruoca. Nessa onda, os governos ditos emergentes também querem se enquadrar. Na Lulalandia, uma medida provisória que autoriza o presidente a estatizar bancos e instituições financeiras será o meio de enquadramento. Muito justo. Afinal o Impávido Colosso é uma estrela em ascensão. Já tivemos CPI das privatizações, espero que nunca tenhamos uma das estatizações.

Essa introdução introdutória foi somente para dar um pano de fundo (ou no fundo) a esse post. Aqui em Elizabetilandia, não se fala outra coisa que não seja crise. Para os desinformados, a crise aqui se chama Credit Crunch. Até logomarca criaram! Já se pode comprar camisetas, adesivos e estão até pensado em registrar a marca. O fato é que o Credit Crunch está nos jornais todos os dias. Supermercados já usam o Credit Crunch em propagandas na TV, lojas de celulares já oferecem descontos e promoções baseados no Credit Crunch e as pessoas já culpam o Credit Chunch por terem acabado o namoro ou pela ressaca do pos-festa. Hoje li que o governo vai acrescentar novas medidas para a venda de cerveja nos pubs. Como os mais viajados sabem, pode-se comprar 1 Pint ou 1/2 Pint de cerveja. Logo logo, alem dessas medidas, vai-se poder comprar 1/3 ou 1/4. Não vou me surpreender se os pubs oferecerem uma dose de cerveja.......É a cultura do Credit Crunch. É uma espécie de histeria coletiva. A crise acaba se tornado pior do que realmente ela é devido ao humor das pessoas. Acho até que as bolsas deveriam contratar psicólogos.

Nesse contexto, ha aqueles que usam e abusam da criatividade. Outro dia fui comprar um sushi para almoçar e me deparei com vários tipos de sush sets. Tinha o De-luxe, o Jumbo, o Basics e o Credit Crunch. Eu não acreditei. Advinha o que as pessoas estavam comprando? O fato é que em tempos de Credit Crunch o senso da oportunidade econômica se junta à criatividade e a habilidade do inglês em fazer humor negro, e temos o Credit Chruch comestível. Na verdade isso não é novo. Eu lembro que havia uma sorveteria na Luzianelandia chamada Ice Kid (Se duvidar ainda existe) que tinha um sundae chamado Crise. Eu só pedia esse! Acho que era uma identificação. ;)

Muito cá entre nós, criatividade em tempo de crise é algo bem brasileiro, não é mesmo! Nós bem sabemos disso. Esses Ingleses estão a nos copiar em tudo. Lendo os jornais você comprova isso descaradamente. Os jornais daqui só falam em inflação, aumento da violência, desemprego e crise. Pra que mais brasileiro que tudo isso. Por isso a imigração esta ficando mais rigorosa. Eles já roubaram as nossas idéias agora não precisam mas da gente.....

Abracao

Nelson

Friday, 10 October 2008

Made in Ceara


Como vcs sabem, passei 3 semanas no Ceara. Pena que não tive tempo para visitar o Brasil dessa vez. Fiquei só no Ceara mesmo. Apesar disso, eu tenho que falar uma coisa pra vocês. Foram uma das minhas melhores ferias. Não sei se foi pelo fato de fazer um bom tempo que não ia a Fortaleza. Talvez tenha até contribuído. Mas o que fez minha viagem a Istaleza (é assim que alguns nativos pronunciam) ser única foi o meu espírito, a minha energia e a minha receptividade. Como muitos sabem, eu tinha um bloqueio com ‘Furtaleza’ devido a minha historia e minha vida naquela localidade. Saí de lá com varias questões a resolver e a certeza de isso não seria possível. Against all odds, todas as questões foram resolvidas. Essa viagem a Fortal foi uma retomada de um tempo perdido. Foi o esquecimento de antigas magoas. Foi a retomada de uma historia perdida. Acredite, foi esse o balanço final.

Deixando o sentimental-dramatico-barato de lado, Fortaleza (acredito que toda cidade brasileira) tem suas peculiaridades. Essas peculiaridades refletem muito intimamente traços da cultura local. Cultura essa formada por varias manifestações, sejam elas artísticas ou mundanas.

No lado artístico temos o grande Teatro Jose de Alencar, o folclore, a musica, a poesia, o Centro Cultural Dragão do Mar entre outras manifestações. No lado mundano, temos a vocação nata do cearense de fazer humor (mesmo quando a situação não pede ou é inapropriada), a palavra 'macho' que esta na boca de 11 em cada 10 cearenses (os cearenses tem um macho na boca), as vais no meio da rua pra tirar sarro com os outros, os buzinacos dos carros (meu povo, é muuuuuuuuuita buzina) e principalmente a uniformidade dos trajes dos nativos (a mulherada anda de farda: mesmo tipo de sapatos, calcas, cintos e bolsas).

Falando nisso, eu estava escrevendo esse post quando recebi um email do meu grande e querido amigo PC. Para quem não sabe, PC foi meu chefe no meu primeiro emprego de verdade. Aprendi muito com PC. Aprendi a ter respeito pelas pessoas e agir eticamente e profissionalmente. PC é um Novo Baiano, apesar de ter nascido na Bahia. Depois escrevo um post sobre isso. Como o email de PC reflete todo esse espírito ceanrensista desse post, vou encerrar por aqui com esse text maravilhoso, poético e erudito que só um cearense terá capacidade de entender plenamente.

Abraços.

Nelson

Sou do Ceará.

Ricardo Gondim.

'Ser do Ceará é mais do que nascer no Ceará, é conseguir
reconhecer, à distância, uma cabecinha redonda, um sotaque cantado, uma
orelha de abano, um jeito maroto de encarar a vida.

Ser do Ceará é saber a estação certa de colher um sapoti,
conhecer os vários tipos de manga e nunca comprar ata verde demais; é
dar sabor a um baião de dois com queijo coalho.

Ser do Ceará é gostar de cocada, de suco de tamarindo, de
sirigüela vermelha, de água de coco docinha.

Ser do Ceará é engolir o final dos diminutivos -
cafezinho vira cafezim; (Nelsinho vira nelsim)

Antônio vira Toim; bonzinho vira bonzim. Lá se fala
aperreio na hora do sufoco; o apressado é avexado; o triste fica de lundu;
quem cria problemas, bota boneco.

Ser do Ceará é morar onde os muros são baixos; quer
dizer, lá todo mundo sabe dos outros. A melhor conversa entre cearense é
fofocar sobre a vida alheia. Aparecer em coluna social é o máximo; os que
pertencem a uma família com pedigree, fazem parte dos eleitos. Os
Studarts, os Frotas, os Távoras, os Jeiressatis são considerados o supra-sumo.

No Ceará não se compra casa do lado do sol; isto é, ninguém valoriza uma
propriedade com a frente voltada para o poente. O sol não perdoa; é
inclemente, ardido, feroz, cansativo. Lá quem não souber lidar com o astro
rei, não dura muito tempo. Entre dez da manhã e cinco da tarde, o sol
deixa todo mundo melado; não existem peles secas no Ceará, todas são
oleosas.

Ser do Ceará é aprender a dormir de rede, a gostar do cheiro de lençol
limpo, a tomar banho frio, a valorizar a brisa do mar. Lá o perfume de
sabonete tem outro valor. No Ceará as mulheres não usam meias finas, os
homens não toleram gravatas e as crianças não sabem o que é uma blusa de
lã.

Ser do Ceará é ter orgulho de afirmar que pertence à terra de José de
Alencar, Patativa do Assaré, Fagner, Eleazar de Carvalho, Clóvis
Bevilácqua. Lá amam-se as artes; cria-se repente com facilidade,
conversa-se com rima.

Ser do Ceará é lidar com umidade, com camisas molhadas de suor, com mofo,
com muriçocas impertinentes, com baratas
avantajadas, com viroses, com desidratações súbitas. Lá os fracos
morrem rapidamente; o darwinismo com sua teoria da sobrevivência dos mais
fortes se prova com facilidade. No Ceará nuvens negras são prenúncio de
bom tempo e relâmpago, uma bênção. Em dia chuvoso ninguém gosta de sair de
casa.

Ser do Ceará é rir por tudo. E tudo vira piada; lá sobra humor até para
vaiar o sol quando interrompe a chuva.

Os cearenses são antes de tudo uns fortes; ao mesmo tempo
deliciosamente bons e perversamente maus. Lá é terra de pistoleiro e de
santo; de revolucionário e de coronel caudilho; de guerreiro e de
preguiçoso.

Sou cearense. E por mais que tenha tentado, não consegui apagar o meu amor
por esse chão que me acolheu no mundo. Lá nasci, casei e tive filhos.

No Ceará despertei para o mundo e infelizmente, sepultei o restim de
esperança que nutria pela humanidade. O Ceará foi o meu ninho e é o meu
túmulo; maior alegria e pior desgraça.

Contudo, apesar de tudo, continuo enamorado do meu berço. Não consigo
desvencilhar-me de ti, loira desposada do sol.'

OH NEGRADA, PASSEM PROS CEARENSES QUE VCS CONHECEM ...

Saturday, 27 September 2008

Forca Maior


Meu povo, minhas aventuras na Terra da Luz estão sendo inúmeras. Infelizmente eu não posso contar aqui no blog a maioria delas por motivo de ´forca maior´. Alguns amigos devem estar pensando: E mudou de nome? Agora chama forca maior? O fato que elas são censuradas.

Sem maiores delongas, vamos ao que interessa. Eu tenho aproveitado essa viagem para resolver coisas praticas do dia-a-dia. Como fazia mais de um ano que eu não vinha à terra da grande Raquel de Queiroz, varias coisinhas estavam pendentes: minha carteira de motorista estava vencida, meu titulo de eleitor havia sido cancelado e meu cadastro no banco precisava ser atualizado. Isso tudo sem falar na bateria de exames que fiz para checar se minha saúde é de ferro ou borracha. Como vcs devem imaginar cada empreitada dessas foi uma aventura. Hora por causa da burocracia reinante da Lulalandia, hora por causa da má vontade inerente do ser humano ou hora pela própria irreverência desse que vos escreve.

Bom, logo que cheguei fui ao Detran para renovar minha carteira de motorista. Disseram-me que era rapidinho. Como eu tinha acabado de chegar, rapidinho pra mim eram 40 minutos. Para os nativos, rapidinho significa 5 horas. Fiquei 5 horas no Detran para renovar minha carteira de motorista. O processo é interessante. Na verdade é uma verdadeira linha de produção carteiristica. Vc pega a senha para ser chamado para dar entrada e recebe um boleto para pagar as taxas. É então encaminhado para outra pessoa para pegar um outro boleto para pagar o exame medico. Com esses boletos em mãos vc vai ao banco pagar (pelo menos o banco era dentro do complexo). Com os boletos pagos vc vai a uma pessoa para entregar o boleto e receber uma guia para o exame de vista. Vai a outra área para o exame de vista. Depois vai para outra pessoa para colocar seu nome para o teste de direção que agora é obrigatório. Ela então encaminha vc à fila do exame medico que, muito cá entre nos, não tem nada de medico. Depois do exame vc vai para outro balcão para entregar uma guia de comprovação que vc fez o exame medico. Depois disso vc vai fazer o teste. Recebe uma guia de confirmação e tem que entregar em outro departamento. Espera o resultado do teste e com ele na mão vc volta ao ponto de partida para entregar a guia de confirmação. Eles então informam que a carteira vai ser entregue em 15 dias. Mas vc tem que ir a um outro departamento para pedir uma ressalva para dirigir. Vc então espera a pessoa o chamar quando a ressalva estiver pronta. Cinco horas depois, vc sai do Detran aniquilado. Não precisa nem falar que cada etapa dessa linha de produção demora uma vida e que a pessoas envolvidas no processo são de uma mediocridade que enoja. O animado é quando alguém se estressa e briga. O mais engraçado foi a moca que entrega guias. Numa dessas brigas, ela bateu no peito e falou: Eu trabalho nessa função há 10 anos e vc quer me ensinar a fazer meu trabalho? Gente, 10 anos entregando guias!!!!!

Outra aventura interessante foi quando fui a Justiça Eleitoral para resolver minha situação perante aquele órgão. Eu havia perdido 4 eleições e meu titulo havia sido cancelado. Ora, estamos em tempo de eleições para prefeito e vereadores. Pense num órgão animado. Mas justiça seja feita, pessoas muito atenciosas. O fato é que chegando lá havia uma equipe de televisão fazendo uma reportagem. Quem eles chamam para entrevistar? Seu blogueiro favorito (foi eu viu!). Dei uma entrevista daquelas. Ressaltei a importância de exercer a cidadania plena e irrestrita. Aproveitei a ocasião para usar todo o meu vocabulário de domingo. Arrebentei. O repórter perguntou se eu queria dar entrevistas sobre outros temas. Falei pra ele:

O que vc quiser! De parto de onça a atracação de navio.

Mas o bom mesmo foi na hora que estava explicando ao mesário a minha situação. Expliquei que morava no exterior e por isso não havia sufragido (para os desinformados, sufrágio é a palavra de domingo para votar). Ele então pediu copia de minhas passagens, copia de meus passaportes (velho e novo), copia de meus vistos e carimbos de entrada e saída. Pediu também que eu escrevesse uma declaração/solicitação e fosse registrar firma em cartório. Ele então iria encaminhar todo esse processo ao Juiz eleitoral que iria julgar. Isso deveria demorar meses já que a prioridade era a eleição. Fiquei zonzo. Olhei pra ele quase chorando. Ele então falou que havia uma maneira mais simples. Se eu pagasse a multa não precisava nada disso e ele me daria um certificado de quitação de imediato. Com uma dor no peito e no bolso avassaladora eu perguntei quanto era a multa. Eu, na minha completa ignorância, pensei que teria que vender meu corpo para pagar a tal multa (o que na verdade não era uma ma idéia no geral). Ele então falou que a multa era de 15 reais. Eu achei que não havia entendido. Ele repetiu. Eu perguntei se a dita cuja era 15 por eleição perdida. Na verdade, ela era 15 no total. Eu então perguntei:

Quinze? Aquele que vem depois do 14 e antes do 16?

Era ele mesmo. Vcs imaginam o que eu fiz!! Morreram os 15inhos e saí com meu certificado e situação quites junto à justiça eleitoral Brasileira.

No final, resolvi todas as pendências. A única pendência que preciso resolver agora é a depressão profunda por ter que ir embora.

Abraços

Nelson

Tuesday, 16 September 2008

Aumilhação


Meu povo, voltei!! E em clima de volta, vou fazer um post luso-brasileiro.

Se vocês não sabiam, eu estou em terras alencarinas nesse exato momento. Muito sol, muita caipirinha e, é claro, muitos corpos seminus. E viva os frescos trópicos!!!

Mas eu queria mesmo era falar sobre minha estada forcada em terras de nossos colonizadores. Pois é. Apesar de gostar muito de Lisboa dessa vez tive que passar uma noite lá contra a minha vontade. Basicamente, meu vôo de terras Elisabetanas para terras Alencarinas fazia conexão em terras Pombalinas. Como a pontualidade Britânica é algo que inglês não ver, meu vôo saiu atrasado de Borislandia. Pense numa correria para pegar o segundo vôo! A correria foi tanta que eu ouvi Carruagens de Fogo no background. Mas valeu a pena pois eu cheguei ao portão de embarque a tempo de pegar o vôo.

Mas, como alegria de quem compra passagem parcelada é pouca, qual não foi minha surpresa quando a educada, delicada, atenciosa e respeitosa rapariga pediu que eu aguardasse ao lado. Na verdade, não somente eu mas 24 outras pessoas. Sem maiores delongas simplesmente aquela airline lusitana havia cancelado nossos acentos e teríamos que passar uma noite naquela potencia do século XVI. O pior é que não havia explicação. A dita rapariga, ou melhor, o dito nariz (ela era um nariz que tinha uma pessoa) entrou em pânico. Ela tremia mais que Sobral durante o terremoto. Mas bom mesmo eram meus companheiros de fado. Tinham suíços, alemães, holandeses e cearenses. Uma das companheiras, no alto de sua sapiência e eloqüência, resumiu o que estávamos passando:

Isso e uma fulerage. To é aumilhada!!

O fato e que nos levaram para um hotel e teríamos que pegar o próximo vôo no dia seguinte. Eu não estava acreditando. Mas, como diria o outro, o que não tem remédio, morre de dor.

Como eu já estava ali mesmo e não tinha o que fazer, liguei para meu amigo JF para fazer um catch-up (sem bicos dessa vez). Saímos para jantar. E como uma boa noite portuguesa, o jantar fora regado a cerveja na entrada para abrir o apetite, vinho durante o jantar, um porto para o pós-jantar e é claro um whiskinho básico para a digestão. Sem falar do conhaque em casa de JF para fechar a noite com chave de ouro e Neosaldinas.

O fato é que acordei no outro dia com uma ressaca daquelas e um mau humor horrendo. Eu acho que o conhaque não caiu bem. Passei a manha no hotel e no começo da tarde fui ao aeroporto para pegar meu vôo. O pior eh que meu mau humor crescia exponencialmente. Meu povo, hoje eu tenho tanta pena das hospedeiras de bordo do meu vôo. Eu fiz da vida delas um inferno. O inferno foi tão grande que eu chamava as raparigas e quando elas chegavam, eu dizia: Esqueci!

Bom, cheguei finalmente ao Pinto Martins (carinhosamente conhecido como Pinto novo). A partir daí foi tudo festa e ainda esta sendo. Aguardem os próximos posts pois o aroma de rapadura que reina por aqui esta obrando milagres para a minha criatividade.

Abraços

Nelson

Wednesday, 3 September 2008

Ta perto....

Jaz faz tanto tempo, que eu deixei……de ser importante, pra vc……

Pessoal, esse eh um trecho de uma musica de uma das maiores cantoras que o Brasil jah teve…Katia.

O fato eh que essa musica resume tudo. Faz tempo que nao escrevo ou que tenho inspiracao para escrever. Imagino que meus leitores jah me abandonaram. Muito trabalho sabe. Mas nao tem problema nao. Estou zarpando pra Fortaleza esses dias e com muita praia e calor minha isnpiracao ha de voltar.

Aguardem!

Abracos,

Nelson

Sunday, 17 August 2008

Inferno Astral

Pessoal, estou em pleno inferno astral e por conseguinte nao estou tendo axe para escrever. Mas tudo bem. Quando passar essa fase, retornarei com gosto de bala. Quando Setembro chegar.....

Abracao

N

Sunday, 6 July 2008

Deixei as pedras rolarem


Meu povo, eu queria abrir um gigantesco parentese com esse post e falar de um assunto serio. Eh algo que eu queria falar ha muito tempo mas deixei na gaveta pois esse nao eh o objetivo do meu blog. Meu blog eh para falar de coisas leves, engracadas e corriqueiras. Mas nao consigo controlar essa minha necessidade de deixar esse assunto sair da minha mente e entrar no meu laptop.

Eu nasci em uma familia catolica, fiz primeira comunhao, frequentei grupos de jovens e ia a missa todos os domingos. Acreditava veementemente na dicotomia ceu e inferno. Cresci, amadureci, estudei, viajei. Apesar de nao ser um estudioso ou uma pessoa entendedora de assuntos filosoficos ou humanistas, tenho uma teoria muito minha. Essa teoria eh baseada apenas no que vejo no mundo e no que sei da historia da humanidade. Basicamente, eu acredito que o grande mal da humanidade chama-se Religiao.

Aqui cabe uma explicacao antes que vc leitor atire a primeira pedra. Religiao a que me refiro eh ela como instituicao, nao como conceito. Ha muitos estudiosos que falam que religiao eh uma necessidade do ser. Acredito nisso. Religiao eh e deveria ser a forma de nos ligar a Deus. Full Stop.

Nao sou ateu, por falar nisso. Acredito em Deus e ‘sinto’ muito profundamente que ele existe. Dei um destaque no verbo sinto pois eh assim que devemos tentar entende-lo. As religioes cometem o maior dos ‘sacrilegios’. Elas materializam Deus. Usam Deus para defender teorias proprias, padroes de comportamentos e interesses. O pior eh que em nome de Deus jah se matou muita gente e ainda mata-se muita gente.

Vou agora atirar a primeira pedra. A religiao catolica jah matou mais gente na historia da humanidade do que qualquer guerra. Hoje ela nao mata, mas massacra psicologicamente. Ela hoje eh um Estado chamado Vaticano que, atras de suas riquezas e portas opulentas, Deus eh materializado de uma forma revoltante.

E as religioes evangelicas no Brasil? Elas roubam o pouco que o pobre tem. Impoem condutas baseadas na biblia mediante uma interpretacao miope do que eh conveniente. Elas atiram pedras, julgam e se isolam em seus guetos que sao chamados de templos. O escudo? Deus, claro. E aqui estah Ele novamente materializado. E jogo tambem pedras em todas as outras religioes. As que fazem atentados terroristas e as que criam Estados. Gente, Estado!!! Que absurdo criar um Estado religioso.

Tendo dito tudo isso, vou agora me contradizer. Eu tenho uma religiao. Eu sinto a necesiade de ter uma religiao. A minha religiao eh perfeita? Impossivel. Mas o que gosto na minha religiao eh que ela sabe que nao eh perfeita. Mas vou atirar uma pedra aqui tambem. Eu sinto uma tentativa de materializacao de Deus quando vejo um excesso de erudicao e tecnicalismos em palestras espiritas (eis a minha religiao). Algumas palestras eh preciso ter um dicionario a mao. Outras, parece ateh a Teresa Raquel recitando a lista telefonica. Uma dramaticidade digna de concorrer a um premio de teatro.

Pessoal, a minha motivacao para jogar tantas pedras eh o que tenho lido na midia. NAO AGUENTO mais essa hipocrisia reinante de Estados religiosos que continuam matando indiretamente quando se opoem a distribuicao de preservativos. Ou a movimentos religiosos que marcham ao senado brasileiro para barrar a aprovacao de leis contra o preconceito. EU CANSEI!! Tanta gente morrendo de fome e tanta incertezas no mundo e grupos gastam recursos em favor do preconceito!! Isso eh um exemplo crasso de materializacao de Deus.

Eu tenho essas pedras guardadas na gaveta ha muito tempo. Como sei que nao tenho respaldo para atirar pedras jah que muitas estao vindo em minha direcao, elas continuaram guardadas na gaveta. Mas hoje pensei e deixei as pedras rolarem. Tenho a eternidade diante de mim para prestar contas por essa pedras lancadas.

Bom meu povo, chega por aqui, neh. Desabafei e fiz publica a minha indignacao. Mas apos ler o que acabei de escrever, penso que estou tembem sendo intolerante. Vou refletir sobre isso. Mas uma coisa eu falo pra voces. Posso ateh estar sendo intolerante ou estar me contradizendo em varias coisas. Mas uma coisa eu garanto. Eu SINTO Deus.

Abracao

Nelson

PS: Prometo que soh assuntos bobos e futeis de agora em diante. ;)))

Thursday, 26 June 2008

Dirty Dirty Martini


Pessoal, primeiro quero desculpar-me com meus milhares de leitores por essa longa ausência. Foram vários os motivos. Falta de axé, atribulações do trabalho, inferno astral devido à proximidade do meu niver, desmotivacao completa e depressão profunda. Fora isso tudo, eu estou numa boa.

Enfim.......Fui assistir Sex and the City outro dia no cinema. Na verdade já faz algumas semanas. Fiquei surpreso com o filme. Eu realmente esperava algo fraquinho. Em geral esse tipo de filme decepciona um pouco, ne. Principalmente uma serie que virou um ícone. Mas eu gostei bastante do filme. Pareceu até que a serie havia acabado semana passada e o filme era só uma nova temporada. As garotas estavam brilhantes.

Como um blogueiro profissional que me tornei (quem diria), me identifiquei mais do que nunca com Carrie Bradshaw. Obviamente que com algumas diferenças marcantes. Mas o que mais gostei foi ver que as garotas ainda são fieis aos Cosmopolitans. Vale salientar que esse cocktail era só mais um entre milhares nos menus de bares e restaurantes. Era até considerado meio cafoninha. Depois da serie, continuou extremamente cafona mas virou ‘The One’. Na verdade, a cafonice ao extremo é o que ha de mais fashionable hoje em dia. Quando fui a NY em Janeiro, o primeiro drink que tomei fora um Cosmopolitan. Na verdade tomei mais 15 depois do primeiro. Não sei bem como a festa terminou pois depois do sexto eu perdi um pouco noção das coisas……

O fato é que adoro cocktails. Acho que sempre gostei. Lembro-me muito bem dos primórdios de meus poucos anos quando experimentei a minha primeira caipirinha. O ardor da cachaça no meu esôfago, o azedo do limão na boca, o engasgar com uma pedra de gelo e a dor no olho causada pelo canudinho foram inesquecíveis. Com o passar dos anos, me aprimorei na arte de beber caipirinha, alçando até vôos mais altos em direção a caipirosca. Bons tempos……

Depois que me mudei para a Ilha, me tornei mais intimo de outras formas de vida cocktenianas. Passei a ser adepto e fã de carteirinha do Mojito. Meu povo, o primeiro Mojito a gente nunca esquece. Com essa descoberta sem precedentes, o Mojito se tornara meu cocktail favorito. Como todos sabem, evoluímos e mudamos nossos valores de tempo em tempo. A maturidade é a palavra chave. Dentro dessas mudanças de valores e também prioridades, mudei algo importantíssimo na minha vida: o cocktail favorito. Hoje meu cocktail ou cocktails favoritos é o Martini. Todo tipo de Martini me encanta. Pode ser um Dirty Martini, um Dusty Martini, um Smoky Martini, Churchill Martini, Mexican Martini, Appletine, Chocotine, Tomatine, Nelsontine ou Qualquer-nome-que-voce-queira-tine. Na categoria frutas, meu favorito é o de lichia. Mas o bom e tradicional dry Martini é sempre maravilhoso.

Eu convido a todos os leitores a dar uma chance aos martinis. Mesmo que você não goste do sabor, o estilo do copo e o charme do cocktail já vale a experiência.

Abracao,

Nelson

PS: Se você é homem e Brasileiro, deve estar pensando: Martini não é coisa de macho. Eu convido você a deixar seu lado troglodita de lado e se deleitar um pouco com os martinis. Na Europa, o Martini é uma bebida universal, seja o consumidor homo, hetero, A, Bi, Pan, Pat, Tim, Tat ou Doub sexual.

Wednesday, 25 June 2008

Não basta ser uma Noiva de Barcelona........


Pessoal, eu tenho que mostrar essa foto pra vocês. Minha amiga MV mandou hoje pra mim. É outra noiva de Barcelona.

Eu matei a charada. Como todas a noivas de Barcelona parecem com a Penélope Cruz, elas tem que fazer algo diferente tipo enganchar o vestido na escada rolante do metro ou chegar na igreja de motocicleta amarela. Almodóvar faz sentido mais do que nunca.

Abracao,

Nelson

Btw, eu vou voltar à periodicidade nos posts, viu. O bicho pegou ultimamente mas já leguei pro zoológico.

Friday, 30 May 2008

Seca de Idéias


Pessoal, estou meio sem inspiração ultimamente. Essa seca tem se agravado pois fico pensado nos meus queridos leitores. Então para não deixa-los tão sozinhos e com um vazio interior enorme eu resolvi dar uma pincelada geral em vários assuntos e fazer alguns comentários. Bear with me.....

Prefeito de Londres sai de Férias.....
Meu povo, vocês não imaginam o rebu que deu por causa das ferias do novo prefeito. Eu não tenho nada contra ele. Só acho que ele é a pior escolha que poderia ter sido feita e que é um louco. Mas como diria minha amiga AP do Rio, é muita falta do que falar. O cara tira 3 dias de ferias com a família e a imprensa cai matando. Isso mesmo, 3 dias. Não foram 30, 300 ou 3000. Foram 3.

Falando em prefeito....
A prefeitura de Fortaleza é palco de uma guerra interessante. Aparentemente, tem uma ruma de gente que quer ser prefeito por uma semana. A prefeita foi aos Estados Unidos para uma visita oficial de estado (ou seria de município) e não passou o cargo para o vice nem para o presidente da câmara pois ambos estão em campanha. Ela passou então o cargo para um procurador geral do município, que procurado não foi achado. Um Juiz de uma Vara da Fazenda Publica achou que ele que deveria ser o prefeito e entrou na justiça. Resumo: a vara comeu......

Internet na Praça
Uma famosa praça de Londres, Hoxton Square, terá free wireless nesse verão. Um passarinho internauta me falou que ha algumas outras praças e parques em Londres que também vão wireless. Já tem até empresa programando uma tarde na praça. Muito civilizado, não. Se fosse no Brasil, uma tarde empresarial na praça resultaria em um prejuízo grande já que todos os laptops iriam ser roubados pela 'Gang do Laptop'. Enfim, para a maioria dos escritórios de Londres sem ar-condicionado (o meu por exemplo) isso vai ser uma boa medida. Como falei outro dia, na próxima vez que fizer um calor imenso de 25 graus eu vou sacar meu traje de banho, toalha de praia, protetor solar e laptop e vou aproveitar.....

Reino Unido rumo ao terceiro mundo e Brasil ao primeiro.
Minha gente, a coisa aqui está preta. Todo dia só o que vejo nos jornais são noticias sobre o aumento da violência em Londres, inflação, aumento de juros, pessoas que não podem comprar casa própria, saúde publica em crise, etc. Como diria o outro: Eu saí do Brasil, mas o Brasil me persegue..... Mas justiça seja feita, as noticias que chegam aqui do Brasil são ótimas. Crescimento econômico, investimentos mil, muito petróleo, etc. Já ouvi até falar a boca pequena que o governo brasileiro encomendou a NASA um projeto para mover o Brasil para a Europa usando tecnologia nuclear.......

Wino
Para quem não sabe, Wino é como a imprensa chama a cantora Amy Winehouse. O fato é que a cantora está nos jornais todos os dias. Bom? Que nada. Como ela apronta horrores e tem comportamentos excêntricos (excêntrico por que é famosa. Se fosse eu seriam comportamentos de gente doida). Outro dia ela resolveu colocar lenço na cabeça, cigarro na ponta da boca, aspirador na mão e fazer faxina em casa com direito a levar o lixo pra fora e tudo. Normal, não? O problema é que era 2 da manha. Na verdade, jogue a primeira pedra quem já não fez algo diferente para acabar com uma insônia. Eu conheço uma pessoa que acorda 3 da manha e vai lavar calcinha e sutiã. Cada doido com sua mania....

Sex and the City
Saiu o filme Sex and the City. Eu não vejo a hora de assistir. Na verdade não importa se o filme é bom ou não. Não precisa nem ter uma historia. Basta ser Sex and the City. Delirei? Talvez. Who cares!

Bom, por enquanto é só. Se eu lembrar de mais alguma coisa eu faço um plantão.

Abracao,

Nelson

Friday, 23 May 2008

Plantão do Blog – Abalou Geral

Meu povo, essa semana senti uma tremedeira no corpo e não sabia o que era. Descobri que era reflexo dos tremores de terra no Ceara. Ao saber do ocorrido, tentei investigar o que acontecera. Como Sobral estava como um dos lugares em que o tremor fora mais acentuado, fiquei preocupado e tentei saber se os ícones da cidade haviam sofrido algum damage. Os ícones da cidade são: O Arco do Triunfo, A Pirâmide e o Cristo Redentor…….Qualquer semelhança é mera coincidência…….

Enfim, fiz alguns contatos para saber quão grande havia sido o tremor. Mas infelizmente ninguém conhecia Richter. Alguém perguntou se era o ex-marido da fulana…………

A lição que tirei desse evento sísmico foi: Vaso Ruim não Quebra…..

Abracao.

Nelson

PS: Para quem não sabe, Sobral é a Princesa do Norte do Ceara. Mas comumente conhecida como United States of Sobral. Terra de filósofos modernos como Renato Aragão e Ciro Gomes. Alem disso tudo, ela é a cidade natal desse seu querido blogueiro……

Thursday, 15 May 2008

O Ópio do Povo


Hi peeps,

Para os que não moram em terras elisabetanas e sim em terras alencarinas, ararariboianas, alceuvalentinas, erundininas, gauchinas e lulinas em geral, no finde passado o Reino Unido recebeu uma frente quente vinda do mediterrâneo. Fez um calor maravilhoso (25oC). Essa concepção de calor é interessante. Com essa temperatura em terras alencarinas as pessoas estariam usando casacos. Aqui elas usam biquínis. Em uma terra em que verão é uma estação bienal, essa é uma temperatura tropicalissima. Imediatamente eu saquei meu protetor solar, roupa de banho e toalha de praia e me mudei para o Hampstead Heath. Fiquei ate bronzeado!

O interessante desse fenômeno é que Londres muda a cara e a energia. A sensação é de não estar em Londres mas em uma cidade mediterrânea. As pessoas ficam alegres, usam pouca roupa nas ruas e em alguns lugares da cidade as ruas ficam tomadas de gente aproveitando o calor, o sol e, principalmente, a energia. A energia é realmente outra. O calor não torna as pessoas mais agressivas e sim mais harmoniosas. Vira quase um clima de êxtase total, paz, amor, serenidade e felicidade. Sem exageros, é quase uma viagem astral. Todos se amam......e como.

Falando em frente quente, a Argentina ainda exporta frentes frias? Lembro-me muito bem como o sul e o sudeste do Brasil consumiam bastante esse produto argentino. Ate o Nordeste era consumidor esporádico.

Voltando a Londres, as frentes que vem do mediterrâneo ou do continente não são sempre quentes. Outro dia, veio uma frente de fedor da Franca (meio redundante, nao?). Basicamente, os ventos do canal da mancha trouxeram a terras borisianas um fedor de adubo das plantações francesas. Quando saí de casa pela manha para ir ao trabalho, chequei o solado do sapato varias vezes achando que tinha pisado em algo indesejado. Foi estranho e engraçado. Estranho pois é bizarro imaginar como uma nuvem de fedor pode atravessar o canal de mancha sem dissipar-se. Engraçado pois o fedor acorda questões históricas adormecidas. Se um dia os Ingleses lutaram contra uma invasão napoleônica, em 2008 eles lutaram contra uma invasão fedorentonica. Os meios de comunicação aproveitaram a festa. Manchetes como Fedor Francês Invade Londres estavam em todos os jornais. Foi como ter queijo e baguete na mão. O queijo já meio passadinho.

O fato é que esse verão promete bombar. Aquecimento global ou não, é melhor salvar o planeta de sunga do que de casado, gorro e luvas. Eu nunca pensei que um dia eu iria dizer isso mas QUE VENHA O CALOR e tudo que ele trás: corpos nus, sol, diversão, energia. Que o calor seja o ópio do povo..... Precisamos desse ópio para encarar o novo prefeito de Londres. Haja calor.........

Abracao,

Nelson

PS: Depois eu faço um post sobre as eleições para prefeito de Londres.

Friday, 9 May 2008

Espelho, espelho meu.....


Pessoal, a vida em Londres às vezes não é nada fácil. Principalmente quando vc tem bom gosto e quer arrumar sua casa. Ainda bem que existe algo chamado IKEA. Ela é o milagre, a cura, a solução, a saída, o TUDO. Para quem não sabe, depois do ABBA, a IKEA é a melhor coisa que a Suécia já exportou. Ta certo que não tem o olhar de sofrimento da loira da banda, o cabelo esvoacante da morena ou as roupas ‘maravilhosas’ dos meninos, mas é fantástica. Tem de um tudo. Do penico a bomba atômica. Obviamente que tem produtos para todos os preços e gostos. Minha amiga RV montou a casa dela toda da IKEA e ficou liiinda. Ela vai tanto a IKEA, que se vc perguntar aos vendedores quem é RV, todos sabem.

Apesar dessas qualidades milagrosas, o santo (ou a santa) às vezes não atende o pedido. Quando isso acontece, temos que usar a criatividade, sentidos em alerta, saída estratégica pela direita e vamos nessa.

Esse preâmbulo todo com direito a merchandising foi para contar um episodio que aconteceu outro dia. Minha amiga C, aquela que tem um marido que não troca uma lâmpada, estava a bordejar por uma das mais chics e caras avenidas de Londres, a Kilburn High Road (mas chic que essa só a Crickewood Broadway), e se encantou com um espelho que estava em uma vitrine de uma boutique finíssima, a Oxfam. Obviamente que ela não resistiu, entrou e comprou o dito espelho. Como o dito pesava uma tonelada e ela tem um marido que não troca uma lâmpada, deixou para pegar outro dia quando achasse almas caridosas que a ajudassem.

Coincidentemente, C organizou uma reuniaozita em sua casa as voltas daquele dia. Convidou alguns amigos (numero suficiente para caber no comprimento do espelho). Obviamente que eu estava naquele seletíssimo grupo. A reuniaozita foi regada a vinho rose da melhor qualidade. Lá pelas tantas, o assunto do espelho veio à tona. Todos nos, os convivas, compadecemos daquela pobre alma e nos oferecemos para pegar o espelho. Com algumas tacas de rose na cabeça, iniciamos a jornada a loja. No caminho eu perguntei algumas vezes qual era o tamanho do espelho. C respondia: MASSIVE, mas levinho.

Justiça seja feita, o espelho não era massive mas era extemamentississimamente pesado. Montamos uma operação de guerra para levar o espelho órfão ao seu novo lar. Lá fomos nos, eu na rabeta, AC à frente, C e TS no meio. E claro OG coordenando a operação, com direito a registro fotográfico para a posteridade e sirene em forma de gargalhadas para alertar os transeuntes. No final entramos casa adentro com o espelho, que passou por vários locais ate pousar no local definitivo.

Com toda essa operação espelhistica, alguns questionamentos profundos vieram a minha cabeça:

Teria sido o espelho inventado na idade da pedra?

Será espelho uma necessidade básica ou um acessório?

Por que será que a madrasta da Branca de Neve tinha um espelho mágico e não um furador de coco mágico?

Será que buscamos nos conhecer inteiramente quando nos olhamos no espelho?
Será que quebrar espelho traz mesmo sete anos de azar?

Será que pessoas grandes precisam de espelhos grandes e pessoas baixas pequenos espelhos?

Quem ha de ter inventado o espelho no teto em motéis?

E como perguntaria a grande pensadora dos tempos modernos, Carie Bradshaw: Are we all sluts?

Abracao,

Nelson

Monday, 28 April 2008

Você conhece o Soho?


Pessoal, outro dia estava lendo um dos jornais do metro de Londres e vi um texto engracadissimo em uma coluna e queria contar pra vocês. Mas antes, vou abrir alguns parênteses (adoro parênteses).

No metro de Londres, ha vários jornais para passageiros. Pela manha, temos o Metro e ao final do dia o Londonpaper e o Lite. Essa idea é fantástica. Eu já cheguei no meu destino final de 40 minutos achando que tinha sido só cinco pois ficara concentrado nas noticias. É física pura. (Einstein já dizia que tempo é relativo). Obviamente que eles não se aprofundam nas noticias. Mas dão um bom overview delas. O suficiente para você saber o que acontece. Muito bom.

Bem, o Londonpaper tem varias colunas engraçadas e interessantes. Tem a Man About Town, a Girl About Town, a Gay About Town, a City Boy, a Soho’s Stories entre outras. Os colunistas contam historias e estórias engraçadas do dia-a-dia da capital britânica. Sempre com um ponto de vista ou tema condizente com o publico da coluna.

A historia que quase morri de rir outro dia foi na coluna Soho’s Stories. Para quem não sabe o Soho é um dos ícones da boemia londrina e nas décadas de 80-90 se tornou também um ícone da boemia gay. Uma bordejada pelo Soho é sempre muito interessante. No Soho ha teatros, cinemas, bares gays e straight, restaurantes do mundo inteiro, lojas de livros, sex shops, lojas de roupas, cafés, etc. Uma gama infinita de opções para varios gostos e tribos. E todos convivem harmoniosamente lado-a-lado. Uma tarde em um dos cafés do Soho é divertidíssimo.

Enfim, o colunista em questão tinha uma loja no Soho que vendia roupas de designers famosos. Ele contava como diferentes clientes se comportavam ao comprar um par de jeans.

O homem straight entra na loja, olha ao redor muito rápido, aponta duas ou três calcas, fala que quer levar essa e aquela e pergunta se a calca não vai apertar na bunda. Não prova, paga e sai na mesma rapidez que entrou.

O homem gay entra na loja, roda a loja inteira, olha todas as pecas expostas, das 35 grifes que a loja vende, ele reclama que não ha uma em particular, prova todas a calcas e pergunta se sua bunda fica bem nessa e naquela. Quando o vendedor fala ‘How can I help you today?’ ele olha de volta com uma cara de nojo. Compra um broche e vai embora.

A mulher gay entra na loja e vai direto a arara das promoções. Pega algumas pecas e prova. A pergunta é: será que minha bunda entra nessa calca? Resolve levar algumas pecas, bate um papinho com o vendedor, paga e sai da loja com a atitude de que um calca jeans é só uma calca jeans.

A mulher straight não vai à loja pois está muito ocupada organizando uma Hen Party (para quem não sabe, a Hen Party eh a ridícula despedida de solteiro das mulheres inglesas. Elas se fantasiam de algum demônio qualquer e saem pelas ruas de Londres com as amigas para beber e dar vexame. Depois eu escrevo um post soh sobre isso).

Salve o Soho e sua pluralidade.

Abração

Nelson

PS: Será que pode escrever bunda no blog? Fiquei na duvida por alguns minutos mas resolvi colocar a bunda no blog. Afinal que mal pode fazer, ne?

Sunday, 20 April 2008

Conversa Alheia

Pessoal, a minha amiga AP do Rio (ela de novo!) escreveu em seu blog um post maravilhoso sobre a conversa alheia (http://www.queroserjoycepascowitch.blogspot.com/). Deu-me então inspiração para esse post, que eu também vou chamá-lo de Conversa Alheia. Tomara que ela não me leve à justiça por plágio. AP, vou logo avisando que vou contratar a advogada do Paul McCartney e o PR dos McCann. A advogada encara qualquer Heather Mills e o PR vai me fazer ser canonizado (para os que não sabem do que estou falando, essas são figurinhas das noticias do submundo inglês).

Depois de ler o post da AP, fiquei pensando sobre as varias situações que ouvi falar, presenciei e/ou participei.

Umas das mais engraçadas, e que virou parte da minha lista de expressões, foi a contada pelo meu amigo AC. Estava ele no ônibus de Criclewood (ele saiu do Rio a procura de Hollywood e acabou em Criclewood) para Kilburn e ouviu duas brasileiras conversando animadamente. Como boas brasileiras, elas estavam falando de alguém. As caridosas almas estavam ate compadecidas com uma amiga que estava passando por uma situação difícil. Estavam encontrando uma maneira de aconselhar a tal amiga e de diagnosticar o seu problema. Uma delas, no alto de sua sabedoria goiana ou mineira disse: O problema da Fulana é que ela tem uma baixa-estima muito alta.

Gente, essa frase é de um significado filosófico sem precedentes. Faz muito sentido. Ora, se existe a auto-estima, deve com certeza existir a alto-estima e, por gravidade, a baixa-estima. Eu fiquei encantado com esse conceito. Depois dessa revelação, eu não tenho auto-estima, mas alta-estima e baixa-estima. E viva a estima!

Outro episódio interessante de conversas alheias foi uma que eu testemunhei ha algum tempo. O que eu presenciei foi um brasileiro escutando uma conversa alheia de outros brasileiros e no final ainda dando seu parecer. Eu tive que descer do metro para rir, pois não consegui manter minha indiferença pré-fabricada de influencia inglesa.

Estava eu alegre e serelepe (não necessariamente nessa ordem) no metro indo de algum lugar para um outro lugar. De repente entram dois entes tupiniquins já engajados em conversações edificantes. Era um casal (boy and girl). Eles sentaram e começaram uma conversação de cunho intelectual avançadíssimo. Como perguntaria uma amiga: com que palavras? Aqui vai:

Boy- Por que ce num dá mim?
Girl- Ta maluco. O Fulano me mata. Ele é macho pra C_ _ _ _ _ _, viu!
B- Dá pra mim vai? Pergunta pra Fulana. Eu sou bom de cama pra C_ _ _ _ _ _.
G – A Fulana já deu proce?
B- Varias vezes.
G- E ela com aquela casa de santa.
B- Dá pra mim vai.
G- Para com isso. Não dou e pronto.
B- Dá pra min vai.
G- Para senão eu conto pro fulano.
B- Conta nada. Vc ta louca pra dar pra mim que eu sei.
G- Num to não.
B- Ta sim. Dá pra mim vai! (ele com uma cara de filhote que quer mamar e já pegando no cabelo dela)
G- Para com isso! (foi um para com isso com sotaque de to quase dando)
B- Então vc vai dar pra mim, num vai?
G- Não sei.
B- Dá aí pra mim vai.


O metro para em uma estação. O sujeito que estava sentado à frente do casal levanta-se e dirige-se a porta de saida. Antes de sair, grita:

Para de fazer tipo e dá logo pra ele que ta na cara que tu ta querendo.

Gente, eu não consegui segurar a gargalhada e corro para fora do trem. Como queria ter acompanhado a reação deles! Mas ainda bem que consigo pegar a porta aberta. Imagina a situação! Já pensou se o cara me convida para a brincadeira?

Que vexame, não? O pior é que eu já passei por situação semelhante. Obviamente que o teor da minha conversa era muito mais erudito.

Bom, estávamos eu e minha amiga AP do Recife no metro, voltando de um passeio inspirador por Tower Bridge, quando engatamos uma conversação profunda sobre futuro, aspirações e objetivos a curto, médio e longo prazos. Isso foi na minha primeira encarnação em Londres. AP falava sobre os elementos na natureza e sobre a ultima teoria metafísica da criação do universo. E eu falava animadamente que queria fazer isso e aquilo e alcançar aquilo outro. De repente o metro para e a garota que estava do lado se dirige a porta. Antes de sair, fala: Boa sorte pra vcs!

Ficamos eu e AP tentando lembrar se havíamos falado alguma coisa má sobre ela ou se falamos alguma coisa que abonaria nossa reputação. Nessa altura do campeonato, pimenta no c_ é refresco!

Vocês devem estar lembrando de inúmeras situações que também já presenciaram ou passaram, não é mesmo? Dá pra mim, vai! Quero por no blog.

Abração.

Nelson

PS: Pessoal, não sei bem como chamar esse post. Vocês preferem Conversa Alheia ou Dá Pra mim? De repente posso fugir de um processo se escolher o segundo. ;))

Monday, 14 April 2008

Plantao do Blog!


Essa eh a cara da primavera Londrina. Ja dizia a poeta: Nao eh brinquedo nao! Cada floco de neve eh um flash!

N

Wednesday, 9 April 2008

Enchendo a Rabeta de Pina Colada


Pessoal, chega de falar de doença !!!!

Eu queria então contar uma historia que aconteceu Setembro do ano passado quando fui a Berlin com minha amiga LM. Eu e LM fizemos um pacto de sangue. Todo Setembro (mês do meu aniversário) nós passamos alguns dias em um lugar diferente. Começou em 2006 quando fomos a Stockholm e em 2007 fomos a Berlin. Por enquanto nosso universo de abrangência é a Europa. Gente, não pensem que to querendo me mostrar. É que eu moro em Londres, neh. Se eu morasse ainda em Fortaleza, nao seria Stockholm ou Berlin mas Massape ou Piquet Carneiro. Se morasse em São Paulo, seria Itapecerica da Serra ou Pirapozinho. Se morasse no Rio, seria Conceição de Macabu ou Iguaba Grande. É só uma questão de geografia.

Bom, pegamos então um vôo da fome para Berlin. Que cidade fantástica. Gostei tanto que estou até aprendendo Alemão. No dia do meu niver, fomos jantar nesse restaurante Austríaco/Alemão maravilhoso. É no porão da casa que morou Bertolt Brecht (manda email que eu dou as coordenadas). Comida maravilhosa. Obviamente que tomamos cerveja, vinho, um licor no final para arrematar. Já saímos pra lá de tipsy.

Esticamos para um bar que tentamos ir as duas noites anteriores mas não achamos o lugar. Acho que fica em uma dimensão paralela que só alguns motoristas de táxi conhecem a passagem. Sorte nossa, encontramos um táxi dessa confraria. Um lugar bem bacana. Chegamos em grande estilo. Por alguma razão desconhecida, o bar inteiro parou para nos ver descer do táxi. Entramos no bar e as pessoas não pararam de olhar pra gente. Nos sentimos como Rodrigo Santoro e Gisele Bundchen (qualquer semelhança é mera coincidência). Sorte nossa, era cocktail night. Pedimos então duas Pinas Coladas para relaxar e entrar nesse clima de pessoas famosas.

Pessoal, vcs não vão acreditar. O garçom trouxe os drinks em um copo que deveria ter pelo menos 1.5 litros. Era um balde de vidro. Foi aí que descobrimos que todos os drinks eram servidos naquele tamanho na Cocktail Night. Como não tivemos opção, enchemos a rabeta de Pina Colada. Resultado: conhecemos metade do bar, dançamos em cima da mesa, ganhamos ingressos para um club. Na hora de ir embora, tentamos pegar um táxi mas os sons que saiam das nossas bocas não eram compreendidos (tentamos Alemão, Inglês, Português, Espanhol e até Tererequistes). Acordamos no outro dia com uma ressaca que vcs nem imaginam. Uma gastura na boca horrível. Prometemos que nunca mais nessa vida tomaríamos Pina Colada. A cota de uma vida já havia se esgotado. Passamos o dia descansando e a noite saímos para um outro bar.

Vale abrir um parêntese aqui. Berlin é uma cidade em efervescência e ainda em fase de reestruturação. É notório como a cidade ainda está se adaptando a era pós-muro. Você nota isso claramente quando conversa com as pessoas e até mesmo pela geografia da cidade. Uma conseqüência interessante dessa adaptação é a necessidade e/ou obrigação das pessoas de serem criativas, modernas, cosmopolitas e vanguarda. Vê-se isso claramente no conceito de muitos bares, restaurantes e áreas de lazer de Berlin. Quase todos têm algo único, inusitado ou temático. Alguns deles juntam tudo isso em um pacote só e se torna bizarro e, muitas vezes, interessante. Por exemplo, entre o rio e um bom pedaço que ainda existe do muro, ha uma praia artificial, com areia, coqueiros, quadras de vôlei, cadeiras de bronzear, chuveiro, e tudo que se tem direito. É claramente uma instalação para não turistas, já que não consta (que eu saiba) em guias e que não tem nem mesmo placa na entrada. Não há nem mesmo entrada. É um portão de ferro enferrujado, que vc tem meio que empurrar com forca. Nós encontramos sem querer. Queríamos ter a sensação de alguém que estaria do outro lado do muro. Tentamos passar bem rapidinho achando que era proibido. Foi realmente como entrar em uma dimensão paralela. Essa é a melhor descrição de Berlin. Uma cidade com portais para varias dimensões paralelas.

O fato é que Belin é umas das cidades mais interessantes da Europa. Mas claro para quem vai com olhos de explorador e curioso. Se sua praia é fazer compras, tirar zilhoes de fotos só para mostrar aos amigos, reclamar da comida dizendo que sente falta de baião-de-dois e passar a viagem dizendo que a cidade que você mora é ainda o melhor lugar do mundo, não vá. Vá pra Paris levar porrada de Francês e comprar perfume falsificado que o que tu mereces......... Desculpa gente, acho que me empolguei.....

Voltando ao assunto, o bar que fomos na noite seguinte segue a linha criativa over-the-top. Pela fachada, vc pensa que é um jazz bar já que tem uma silhueta de um homem com um saxofone. Vc entra e a coisa fica multi estilosa. Tem um bar que é uma pedra com água escorrendo e um papel de parede com arvores estampadas. Do outro lado tem uma parede com um tema marinho e luminárias em forma de golfinhos, lulas (não o presidente) e tubarões. E o fundo do bar é bem psicodélico, com luz negra, néon e mesas de vidro iluminadas. Uma experiência rica aos sentidos. Todos os sentidos mesmo, já que as cadeiras do bar vibram.

Advinha o que tomamos nesse bar...................…….Pina Colada.

Abracao,

N

Wednesday, 2 April 2008

To wear or not to wear……

Pessoal, eu tenho que contar essa. Como vocês sabem (se não sabem leiam meu blog mais frequentemente), eu fui ao medico outro dia por causa do meu pé. Pois bem, fui fazer hoje um exame de sangue. Chego no posto de saúde e faço o check-in para o exame. Espero pouco, cerca de 15 minutos. Uma pessoa que, aparentemente, era um homem (como vcs bem sabem, em Londres o gênero não é obvio pela aparência física) chama meu nome. Entro, pouso minha mochila e casaco em qualquer lugar e sento-me. Imaginei que podia pousar meus pertences na cama que se encontrava no canto pois era a única superfície livre. Vale salientar que nem um bom dia recebi. Ele nem pediu para eu tirar o jumper, mas eu fui logo tirando. Eu imagino que ele iria tirar meu sangue por cima do jumper se eu não tirasse.

Bom, ele começa a manipular os instrumentos. Percebi que ele não usava luvas. Quando estava prestes a me furar perguntei pelas luvas. Ele então falou que não era necessário. Não era necessário? Eu então falei que como ele manipulava sangue era necessário sim. Para segurança tanto do paciente quanto do profissional de saúde. Ele ficou olhando para mim sem falar nada por alguns segundos e falou: Are you ready or not?

Gente, eu não acreditei. Falei que não estava e que não iria tirar sangue com ele. Olhando atenciosamente os detalhes, eu notei que ele não podia usar luvas. Ele tinha umas unhas enormes. Desculpe a franqueza, eram grandes e sujas. Eu quase pulo pela janela. Mas fiz meu alarde e consegui alguém com unhas limpas e usando luvas para tirar meu sangue (é azul viu).

Fiquei então pensando sobre o sistema de saúde publica do Reino Unido e o do Gigante Pela Própria Natureza. É difícil comparar pois são duas situações diferentes, economicamente, historicamente e culturalmente. Obviamente que a saúde publica do Florão da América deixa bastante a desejar. Há esses episódios aqui mas a coisa funciona. No final, você tem o atendimento que precisa. Mas o ponto que mais me impressiona, é a relação que eles tem com a higiene em geral. Banheiros com carpet, baciazinha na pia para lavar a louca, atendente que tira sangue sem luvas, campanha no metro pedindo as pessoas para não dar descarga se é só um xixizinho. Sem duvida é cultural.

Eles têm essas coizinhas, mas não tem baratas, epidemia de dengue, esgotos a céu aberto, pobreza absoluta. Talvez por isso que os padrões de higiene e exigência sejam diferentes e talvez por isso os mais privilegiados do Impávido Colosso, que tem acesso a um plano de saúde ou podem pagar por atendimento privado, tem um padrão tão alto de higiene comparados aos daqui. Sem duvida vivemos os extremos, mas sempre deitados em Berço Esplendido. O Ipiranga não tem mais as margens plácidas com certeza.

Bom gente, como não sei nada sobre saúde publica, esses foram só alguns pensamentos. Não quero me aprofundar pois não tenho embasamento para isso. Só queria mesmo dividir com vcs essa historia e minhas impressões. Agora, eu digo uma coisa, vocês perderam a cena de indignação que fiz na clinica. Saí com a alma lavada e enxaguada. Eu, um latino americano, sem parentes importantes e vindo do interior, dando aula de higiene básica aos filhotes do imperialismo inglês. Arrebentei!

Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!


Abraço

Nelson

Wednesday, 26 March 2008

SEX AND CITY OF LONDON

Pessoal, estou meio sem axe de escrever esses dias. Mas estou com crise de consciencia pelos meus leitores (que pelos comments devem ser 3 ou 4). Entao lembrei que ha alguns anos eu havia escrito com amigos uma serie chamada Sex and the City of London.

Foi uma brincadeira com dois colegas de trabalho. Obviamente que eh uma brincadeira com a serie americana. Na epoca, nos trocavamos emails o dia inteiro sobre fofocas do escritorio e outros assuntos futeis (ainda bem que minha chefe nao fala portugues e nao vai ler esse post). Basicamente, a estoria eh sobre 4 amigas que moram em Londres e trabalham na City (para quem nao sabe, a City eh a Wall Street inglesa).

Cada um acrescentava algumas frases ou paragrafos e iamos entao montando o episodio. O primeiro episodio eh curto pois foi quando comecou a brincadeira. Nos passavamos dias para escrever um episodio inteiro pois, apesar de voces imaginarem o contrario, nos tinhamos que trabalhar. Nao sei bem o motivo, mas escrevemos somente 4 episodios. Uma pena pois acho que tinhamos futuro. By the way, estah em ingles.


Episode 1:
Have you contacted him yet today? Asked Nicky. Are you waiting for him to contact you? Are you playing the I-am-not-in-love game? What makes Nicky wonder: Isn't it true that we all dream of getting a perfect man with a perfect body, an appartment in Park Lane, and a gorgeous gorgeous fantastic Visa Gold? Are we expecting somebody to bring to our lives the magic that we consider missing? Or what is more important, are we all sluts?That night Charly...


Episode 2:
That night, Nicky did not feel like staying at home all alone thinking of Daniel. Therefore, she brought herself to a small dirty bar near her place. She wasn't feeling very happy after Xmas, but she still decided to go out anyway. She ordered a pint, it did not matter to her which brand.

At the same time, on the other side of the city, Vicky was at home sitting in front of her computer. After spending more than three hours writing an essay about something she could not care less, she decided to stop and have a glass of wine, always white.

While these two poor souls were abandoning themselves to the alcohol, Charly, who had recently found a job as a Sales Associate, was thinking about going back to the office to make endless calls to people she did not know and she did not care about. When she felt a tear falling over her right cheek, she decided to go to the fridge and take out a bottle of wine, always white.

And just like this, the three girlfriends decided to drawn their sorrows in alcohol - Charly and Vicky in a more stylish way than Nicky, since white wine is classy and beer common. With every sip, they started wondering what was so wrong in their lives to make those drinks the best companions ever, why could wine and Nicky’s beer make them feel better than any of their lovers have or will? And the most important question: were they all sluts?

Episode 3:
While Nicky was resting on her sofa, all alone, she was still fantasising, and feeling fantastic, about the guy she had met last night in that dirty bar. She was already falling in love, even though she did not want to admit it to herself.

This made Vicky wonder: why are we so scared to admit that we are falling in love with somebody? Is it because it makes us vulnerable? Does it make us vulnerable because we could not accept the idea of the other person not loving us because "we are not good enough"? Or is it because we don't want to be ridiculous? And the most important question: are we all sluts?

The day after, Nicky meets Charly and Vicky for lunch, and at coffee time she told them that she was falling in love with Wayne (who was the guy in question). Charly, who had been in a relationship for more than four years, said: "That's great". But her expression was as fake as a ten pound coin, and Vicky, always classy and very knowledgeable, expressed, as usual, her sincere opinion: "Don't be ridiculous", she said with her exquisite tone of voice. She was scandalized to the extreme.

After one coffee and a couple of cigarettes, Nicky decided to take things slowly, and Charly, who could barely remember how excited and insecure people feel at the beginning of a relationship, agreed with her that it was the best and most sensible thing to do.

It was still Wednesday, and Vicky, who could not wait for Friday, since she had been planning to get drunk, still had to work on a couple of essays for university. Always learning, that's Vicky.


Episode 4
Nicky spent all afternoon thinking about this 'taking-things-slowly' issue. Charly's advice was echoing in her mind. How is it possible to take things slowly when one is completely in love? How is it possible to control your thoughts? Later that afternoon, Vicky turned up at Nicky's office to say hello. She was fabulous in her new outfit. She gave Nicky a precious advice: call Wayne. Nicky ended up calling him. She found him a bit cold on the phone. Was he really cold or it was her imagination? Nicky got confused and decided to call her beloved friend Christiane in Brazil. Chisty lives in London but went to Brazil to have a plastic surgery. She was busy having lunch with a Brazilian businessman. This made Nicky thinks about something. Are we always looking for the Mr. Right? Is it possible to stay single forever and just enjoy life? Are we all sluts?

Christy came back from Brazil two days later, and Nicky, Charly and Vicky could not wait to meet her. They knew that something was going on between Christy and that Brazilian businessman.

They decided to meet for coffee at the Dorchester hotel. Even if they all were down and out, they always had the spare £10 for a latte in the poshest hotel in London. Vicky and Nicky arrived together nearly on time, and Charly 10 mins later. They ordered their £10 coffees and talked about their weekly miseries. 5 mins later Christy showed up.

N, V and C could not believe it. "Christy, darling, those are the biggest plastic boobs I've ever seen in my life! Are you mad?", said Vicky. Nicky was horrified, but she could not believe when Christy said that they were a present from her Brazilian "friend" and added "And please, don't call me Christy anymore, call me Tiane, everybody does in Brazil."

If Charly did not slap her right there and then it was only because decency stopped her; and because they were at the Dorchester hotel, of course.

After listening to Tiane's stories (all glamorous, romantic, wild, etc.; and all located in exotic Brazil) the girls decided that they had had enough and that it was time to go home.

On her way home, Vicky (who was also thinking of changing her name to something more exotic) could not help wondered: why do women need bigger boobs? Are plastic boobs an extension of women self-esteem? Has self-respect anything to do with all this? Obviously not, otherwise, why would somebody go through an operation in order to get Barbie's tits? And the most important question: Are we all sluts?

Thursday, 20 March 2008

Pesada Hospitalar

Pessoal, voltei de Barcelona a cara da Penélope Cruz (I’m worth it) e com uma tendinite no pé daquelas. Passei alguns dias com uma dor infernal. Imaginei que era por ter bordejado pelas calles e ramblas de Barcelona.

A dor era tanta, que fui a um hospital. Organizei um mini-cab para me pegar em casa e tudo. No caminho, me concentro no programa de radio que estava a passar. O programa era sobre as mudanças no conjunto de leis da União Européia. Basicamente, a grande discussão era se deveria haver consulta popular ou não. O radialista estava entrevistando ouvintes e fazendo um mini debate. De repente entra no ar um John-Qualquer-Da-Vida. A primeira frase foi: Hi mate! Para quem não sabe, esse é o comprimento oficial dessa espécie. O nosso amigo ouvinte começa então a bradar com todas suas forcas que votará contra tudo que leve EU. Falou que esses europeus de m_ _ _ _ são um problema. Que houve uma guerra no passado para não deixa-los entrar aqui. Falou também que UK não era Europa, bla, bla, bla, bla. O radialista o tirou do ar na hora.

Gente, se ele tem essa opinião sobre os Europeus (vale salientar que ele não está sozinho), imagina sobre nós os habitantes da floresta (ele não deve ter a mínima idéia onde o Brasil está localizado geograficamente e deve pensar que vivemos em arvores).

Bom, cheguei finalmente ao hospital (quase peco ao motorista para dar voltas no quarteirão para ouvir mais do programa). Tento então achar a emergência. Descobri que era no primeiro andar. Será que se uma pessoa chega em estado grave tem que esperar o elevador?

Consegui me arrastar até o elevador e chegar a emergência (ninguém me ofereceu uma cadeira de rodas e não perguntou nem as horas). Fui direto ao balcão da recepcionista. Devido a leis de Health & Safety, a moca que fica atrás do vidro tem que ficar sentada e o buraco que ela fala é na altura de sua boca. Eu com uma dor infinda, baixo-me, quase acocorado, para responder perguntas tipo nome, idade, endereço, religião e sexo (em Londres, a aparência física da pessoa não é suficiente para determinar seu gênero).

Depois de responder tudo e quase morrer de dor ao voltar à posição vertical, sento-me para esperar ser atendido. Gente, o que vi foi interessantíssimo. As vezes você pensa que o hospital é em um país Árabe. O animado é quando entra um doido e começa a xingar a rainha. E o bando de Filipinos que entra porque um deles cortou o dedo! A confusão é tanta que vc espera alguém gritar BINGO a qualquer momento. Por isso, se tiverem tempo livre, passem a tarde em um hospital londrino. É uma experiência única.

Finalmente sou chamado pelo medico. Arrasto-me a sua sala com a certeza de haver encontrado o meu salvador. O Ser que iria dar-me o conforto que precisava. Na verdade, levei foi uma bronca. Caí na besteira de dizer que achava que era um problema crônico. A bronca foi por ter ido ao hospital. Ele então passou paracetamol e mandou eu procurar um medico. E eu achando que hospital era onde eles estavam. Tão ingênuo.....

Saí do hospital em depressão profunda e, obviamente, muita dor. Voltei então para minhas compressas de água quente e meus lenços de papel para as lagrimas. Resolvo ligar para o meu GP (clinica geral do bairro). Como imaginava, eles não tem atendimento de emergência. Tentei marcar uma hora para o outro dia. Não podia. A regra é: vc tem ligar marcando uma hora para ligar para marcar uma hora. Ou seja, marquei uma hora para ligar na Segunda para então marcar uma consulta. Se vc ligar para marca uma consulta sem ligar antes para dizer que vai ligar, eles não marcam. Entenderam? Nem eu…..

Que saudades do meu plano de saúde. Vocês não imaginam como é péssimo morar em um país onde o sistema de saúde pública é complicado.

Abracao.

Nelson

Friday, 14 March 2008

Aeroportos

Pessoal, não sei se vcs já tiveram o prazer (ou desprazer) de pegar um avião em um dos aeroportos de Londres. É uma experiência que vai de antropológica a infernal. A jornada antroponal começa quando vc sai de casa. Se você pegar um mini-cab, isso já é uma experiência única por si só. O motorista vai ser de um país obscuro que vc nunca ouviu falar (tipo o Tererequistao) e que fala um inglês que vc jura que ela tah falando Tererequistes.

Chegando ao aeroporto, vc tem certeza que caiu de pára-quedas na Marques de Sapucaí em pleno carnaval e o enredo é De Volta as Raízes. Eu sempre espero ver a ala das baianas ou uma drag vestida de Carmem Miranda.

Ate aí beleza. A área de seu check-in é a W e vc chegou na B. Se vc chegar lá na W sem nenhum arranhão é porque vc foi voando. Pior é quando vc está com tendinite no pé e todos miram suas malas e carrinhos lá.

Se vc viaja com uma empresa grande tipo Aviações Britânicas, a experiência é um pouco melhor. Mas viaja em empresas da fome como a Jato Fácil (to traduzindo para não fazer merchandising, neh!). Como diz minha tia, dá vontade de botar o c_ no armador e fazer carreira. Mas como a liseira é grande, tah valendo.

Pois bem, vc vai então encontrar 534 check-in desks com destinos que vão de Praga ao Porto, passando por Varsóvia, Milão e Málaga. Depois de 40 minutos na maior fila é que vc descobre que pode pegar qualquer uma. O bom é quando vc pega uma fila com windsurfistas a sua frente, com aquelas pranchas intermináveis e todos os amigos que ele convidou para a viagem. Os tubarões de Recife não sabem o que estão perdendo.

Acabado o check-in, entra security (raio-x para alguns). Vc consegue pegar a fila menor, já está com seu sapato na mão, laptop fora da bolsa e entre as pernas, casaco na ponta dos dedos e saquinho transparente com o desodorante empindurado nos dentes. Tudo pra facilitar. Aparece então das profudenzas do solo, duas senhoras em cadeiras de roda, usando chapéus róseos imensos, maquiagem a lá néon e empurradas por inglesas tão delicadas quanto dois hipopótamos. É strike na certa.

Bom, passa security e vc então tenta ver nos monitores onde é o seu portão de embarque. Começa a ler os destinos: Galgary, Guernsey, Tallinn, Vilnius, Riga, Billund. Já iniciaram viagens interplanetárias?

Finalmente vc ver seu destino e descobre que seu vôo está atrasado (gente, vcs não imaginam como é horrível morar em um país que tem atrasos nos vôos o tempo inteiro). O pior de tudo, e isso deixa vc irado, é o fato de não ter leite desnatado no coffee shop. Feliz é a mulherada que passa o tempo lixando as unhas.

Vc resolve então dar uma volta para esticar as pernas. Para alguns, os baldes espalhados pelo chão do aeroporto é uma instalação de arte moderna. Mal sabem, que é goteira mesmo. Gente, fiquem chocados não. O JFK de Nova York tem tanta goteira que vc pensa que o teto é uma tabua de pirulitos. Por isso, se vcs se depararem com goteiras e baldes no Pinto Martins, Galeão ou Cumbica, relaxem. É uma tendência internacional e ultima moda em Londres e NY.

Com tudo isso, vc tem que ser otimista, positivo e bem humorado, quase Poliana. Ainda bem que meu vôo não faz escala no Iraque.

Que saudades do Pinto Martins!!

Abracao,

Nelson

Ps: Para quem não sabe, o Pinto Martins é o aeroporto de Fortaleza. Carinhosamente chamado pelos mais íntimos de Pinto Novo já que construíram um novo terminal.

Saturday, 8 March 2008

Almodóvar encontra Nelson Rodrigues em As Noivas de Barcelona


Como vcs bem sabem, estive em Barcelona recentemente (se não sabiam, sabem agora). No Segundo dia fomos a Sietges para pegar (ver) uma praia. Passamos o dia comendo tapas e curtindo um solzinho do inverno espanhol. Obviamente demos uma bordejada pela cidade. Andando por Sietges, passamos por uma igreja onde havia uma noiva preste a entrar. Foi como estar em um filme. Aquela igreja espanhola, a noiva com um ar de Penelope Cruz, faltou só uma drag entrar gritando dizendo que a noiva era o pai do filho dele (Bem Almodóvar, não?). Daí a noiva não se casaria e passaria a matar todas as noivas da vizinhança (Isso já seria Nelson Rodrigues).

Voltamos para Barcelona no final do dia. Antes de ir para casa passamos em um mirante para apreciar a vista e, obviamente, tomar umas copas. Quando descemos do carro, eis que demos de cara com uma noiva e seu marido (ou quase) a tirar fotos. Apesar de estarmos há pelo menos 100 Km da primeira noiva, achei que era a mesma, já que essa também parecia Penelope Cruz. Mas não era.

Duas noivas no mesmo dia! E as duas parecendo Penelope Cruz! Bizarro.

Bom, fomos para casa para lavar as partes e sair para jantar. Deixamos o carro em casa e resolvemos ir de metro. Prestes a chegar a estação, vimos (e ouvimos) bombeiros e uma ambulância chegando com suas sirenes ensurdecedoras ao mundo, carros parando para dar passagem, pessoas assustadas. Como um bom morador de Londres, pensei o pior. Ao aproximarmos, eis que a revelação do motivo daquele alarde todo nos deixou chocados. Pasmem. Uma noiva havia enganchado seu vestido esvoacante no topo da escada rolante do metro, já na calcada. Foi uma cena surrealissima.

A noiva enganchada, o fotografo oficial a tirar fotos, os padrinhos e convidados em conversações animadas, bombeiros chegando com mangueiras e machados. Começa a juntar gente, pessoas rindo e tirando fotos e a noiva a pousar para as fotos. Uma equipe de sete bombeiros tentando desentalar a noiva. Mais pessoas chegando e tirando fotos. Um furduco.

Infelizmente não ficamos para ver o desfecho. Mas tenho que confessar que depois de anos em Londres, minha primeira reação foi fazer de conta que nada estava acontecendo. Afinal de contas, uma noiva com o vestido enganchado na escada rolante do metro é tão banal quanto um grupo de pessoas dançando a coreografia de Thriller dentro do trem do metro (http://www.youtube.com/watch?v=X6EDAZ3crdY).

No caminho para o restaurante, alguns questionamentos vieram a minha mente:

-Será que ela já havia casado?
-Estaria ela fugindo?
-Onde estaria o noivo?
-Estava ela indo ou vindo de seu casamento de metro?
-Será que na Espanha desenganchar noivas está na lista de deveres dos bombeiros?
-Ver três noivas no mesmo dia tem algum significado?
-Teriam a noivas na Espanha que necessariamente parecer com a Penelope Cruz, haja vista que a nossa terceira noiva era também muito parecida?


Como passei pouco tempo em Barcelona não consegui encontrar respostas para meus questionamentos. Aqueles que conhecem mais sobre os espanhóis poderiam me mostrar a luz no final do túnel? Definitivamente, eu não sou a mesma pessoa depois dessa experiência única.

Abracao.

Nelson


PS: Consegui colocar alguns acentos. Mas tem outros que não rolam nem por reza pesada. Quem sabe na próxima.

Friday, 29 February 2008

Fazendo Bicos

Pessoal, minha amiga AP do Rio pediu para eu contar a estoria dos bicos em Portugal (Portugueses, nao tirem conclusoes antecipadas. Vejam o resto).

Tudo comecou no meu 1º ano em Londres na segunda encarnacao (eh que eu morei duas vezes em Londres). Estava meio melancolico, saudades da mundica dos Bubus, da tia G que adora manga, da serra da Meruoca, enfim..... Meu amigo JF convida-me para passar o natal com ele e a familia em Lisboa. Apesar da liseira interminavel, fui. Afinal de contas seria otimo tirar uns dias de folga em Portugal e passar o natal em ambiente de familia, etc. Foi uma viagem inesquecivel e emocionante do ponto de vista historico. Conheci Sagres, Coimbra e Lisboa (Abrindo um parentese, Portugal eh fantastico. Ir a Portugal eh mergulhar na nossa historia. Vc passa a enteder melhor nossa cultura e habitos. Eu acho aquele povo que fala que nao precisa ir a Portugal quando for a Europa pois nao tem nada, eh um povo que merece viajar em um grupo gigantesco e passar por 50 paises em 7 dias).

Voltando ao assunto, na noite de natal fomos para a casa da irma de JF. A familia dele eh bem tradicional e posh (no bom sentido. Pessoal maravilhoso). Todos sentados a mesa para a ceia (15 pessoas) e o avo dele (pai do pai. Eh que nao tem acento!) usando terno e gravata. Estavamos todos a mesa conversando animadamente e comendo (lembrei-me na hora do natal dos Bubus. Bem silencioso, uma fines monarquica e um menu que muda todo ano. Ah que saudades do pessego.....).

Eu com minha boca grande, para ser simpatico, comeco a usar palavras portuguesas e solto um gajo. Nao soh um, mas 2, 3,....1000. De repente, o avo do JF pergunta se usamos essa palavra no Brasil. Senti que falei m_ _ _ _ . Ele entao fala que aquela palavra nao era apropriada a mesa. Eu morri. Silencio profundo a mesa. Um baita climao. Quase peco um mini-flashback. Alguem quebra o silencio com as ultimas do aquecimento global. Obviamente nao abri a boca daih em diante. Nem para comer. Terminado a ceia (eu faminto), fomos a sala de visitas para cafes e licores. Pessoal, eu adoro Porto. Cai de boca no Porto e esqueci o episodio do gajo.

Jah estava engajado novamente em conversacoes (pegaram o trocadilho? Eu falo porque tem aqueles lesados que nao entendem os trocadilhos). Minha boca abrindo de novo (perigo). Daih acontece o cataclisma que tremeu o chao e fez o teto cair na minha cabeca. Alguem pergunta o que eu fazia na minha 1ª encarnacao em Londres. Veio entao a frase que deixou todos engasgados. Falei em alto e bom tom para todos os convivas ouvirem:

Estudava ingles e fazia bicos!!!!

Pessoal, quando forem a Portugal, deixem essa palavra em casa. Para quem nao sabe, fazer bicos em Portugal eh o ato de pousar a genitalia masculina na boca e fazer movimentos cadenciados com o intuito de proporcionar prazer ao receptor, mediante remuneracao pre-negociada.

Resumo da opera, deixei Portugal com minha reputacao abalada e um rotulo na testa: Garoto de Programas Brasileiro Especializado em Bicos. ;))

Abracao.

Nelson

Monday, 25 February 2008

Sunday, 24 February 2008

Quero Ser Blogueiro.....

Ultimamente tenho achado cool quando alguem chega e fala que fulano ou sicrano eh ‘blogueiro’. Entao resolvi que Quero Ser Blogueiro……

Eu nao sou muito ligado nessas coisas de socializacao eletronica. Nem emails eu respondo com frequencia (soh os emails de trabalho que sao 550 por dia, pelo menos). A primeira vez que ouvi que alguem era um blogueiro achei que era uma coisa feia. Muito entre nos, o nome nao soa muito bem. BLO-GUEI-RO….. Me lembra maconheiro, troteiro, vaqueiro, bandoleiro.

Apesar de nao gostar do nome, tentei focar no conceito. Entao tentei formar na minha cabeca o porque disso ser legal. Dai passei a dar uma olhada em blogs por aih. Tem de tudo. Vai de parto de baleia a atracacao de navio. Me deu logo uma gastura e resolvi concentrar minhas energias em coisas mais importantes.

Mas resolvi voltar ao universo bloguiano. E aqui estou, tentando escrever o meu primeiro Post (eh assim que se fala?). Peco entao ajuda aos blogueiros profissionais do universo. Preciso de algumas dicas. Eu tenho algumas perguntas que talvez ajudem nas dicas. Aqui vao:

Eh preciso ter tambem profile no Orkut, Facebook, MySpace, Multiply, ter um artlog, um photoblog, um sketchblog, um vlog, um MP3blog e um micro-blog para ser blogueiro?

Eh preciso sempre falar de vc de uma maneira cool sem querer transparecer que estah fazendo um esforco para nao parecer cool mas jah sendo cool?

Eh sempre preciso ter um nome meio cafoninha/bacaninha para o blog?

Eh sempre preciso escrever sobre a evolucao humana, sobre o esoterismo no vigesimo milenio ou sobre a quantidade se acucar que vai no bolo de macaxeira?

Eh sempre preciso ser politicamente correto ou pode dizer que odeia isso ou aquilo, como eu que odeio os franceses com todas as minhas forcas por exemplo?

Pode escorregar no Portugues? (Eu tenho um problema serio. Nao falo mas nenhuma lingua decentemente. Meu Portugues arrepia e meu ingles nao eh minha primeira lingua. Para completar a bagaceira, eu nao tenho acentos no meu teclado nem um Spelling Check em Portugues. Ou seja, vou ser jogado aos leoes pelos comentaristas bloguianos.)

Me ajudem que eu realmente Quero Ser Blogueiro……

Thx.

N

PS: Nao me mandem comentarios negativos que eu nao sei lidar com isso. Mando logo vc F_ _ _ _ off !

PS2: Sabe de uma coisa. Desisto. Essa coisa de blog eh muito gasturenta.