Pages

Monday, 28 April 2008

Você conhece o Soho?


Pessoal, outro dia estava lendo um dos jornais do metro de Londres e vi um texto engracadissimo em uma coluna e queria contar pra vocês. Mas antes, vou abrir alguns parênteses (adoro parênteses).

No metro de Londres, ha vários jornais para passageiros. Pela manha, temos o Metro e ao final do dia o Londonpaper e o Lite. Essa idea é fantástica. Eu já cheguei no meu destino final de 40 minutos achando que tinha sido só cinco pois ficara concentrado nas noticias. É física pura. (Einstein já dizia que tempo é relativo). Obviamente que eles não se aprofundam nas noticias. Mas dão um bom overview delas. O suficiente para você saber o que acontece. Muito bom.

Bem, o Londonpaper tem varias colunas engraçadas e interessantes. Tem a Man About Town, a Girl About Town, a Gay About Town, a City Boy, a Soho’s Stories entre outras. Os colunistas contam historias e estórias engraçadas do dia-a-dia da capital britânica. Sempre com um ponto de vista ou tema condizente com o publico da coluna.

A historia que quase morri de rir outro dia foi na coluna Soho’s Stories. Para quem não sabe o Soho é um dos ícones da boemia londrina e nas décadas de 80-90 se tornou também um ícone da boemia gay. Uma bordejada pelo Soho é sempre muito interessante. No Soho ha teatros, cinemas, bares gays e straight, restaurantes do mundo inteiro, lojas de livros, sex shops, lojas de roupas, cafés, etc. Uma gama infinita de opções para varios gostos e tribos. E todos convivem harmoniosamente lado-a-lado. Uma tarde em um dos cafés do Soho é divertidíssimo.

Enfim, o colunista em questão tinha uma loja no Soho que vendia roupas de designers famosos. Ele contava como diferentes clientes se comportavam ao comprar um par de jeans.

O homem straight entra na loja, olha ao redor muito rápido, aponta duas ou três calcas, fala que quer levar essa e aquela e pergunta se a calca não vai apertar na bunda. Não prova, paga e sai na mesma rapidez que entrou.

O homem gay entra na loja, roda a loja inteira, olha todas as pecas expostas, das 35 grifes que a loja vende, ele reclama que não ha uma em particular, prova todas a calcas e pergunta se sua bunda fica bem nessa e naquela. Quando o vendedor fala ‘How can I help you today?’ ele olha de volta com uma cara de nojo. Compra um broche e vai embora.

A mulher gay entra na loja e vai direto a arara das promoções. Pega algumas pecas e prova. A pergunta é: será que minha bunda entra nessa calca? Resolve levar algumas pecas, bate um papinho com o vendedor, paga e sai da loja com a atitude de que um calca jeans é só uma calca jeans.

A mulher straight não vai à loja pois está muito ocupada organizando uma Hen Party (para quem não sabe, a Hen Party eh a ridícula despedida de solteiro das mulheres inglesas. Elas se fantasiam de algum demônio qualquer e saem pelas ruas de Londres com as amigas para beber e dar vexame. Depois eu escrevo um post soh sobre isso).

Salve o Soho e sua pluralidade.

Abração

Nelson

PS: Será que pode escrever bunda no blog? Fiquei na duvida por alguns minutos mas resolvi colocar a bunda no blog. Afinal que mal pode fazer, ne?

Sunday, 20 April 2008

Conversa Alheia

Pessoal, a minha amiga AP do Rio (ela de novo!) escreveu em seu blog um post maravilhoso sobre a conversa alheia (http://www.queroserjoycepascowitch.blogspot.com/). Deu-me então inspiração para esse post, que eu também vou chamá-lo de Conversa Alheia. Tomara que ela não me leve à justiça por plágio. AP, vou logo avisando que vou contratar a advogada do Paul McCartney e o PR dos McCann. A advogada encara qualquer Heather Mills e o PR vai me fazer ser canonizado (para os que não sabem do que estou falando, essas são figurinhas das noticias do submundo inglês).

Depois de ler o post da AP, fiquei pensando sobre as varias situações que ouvi falar, presenciei e/ou participei.

Umas das mais engraçadas, e que virou parte da minha lista de expressões, foi a contada pelo meu amigo AC. Estava ele no ônibus de Criclewood (ele saiu do Rio a procura de Hollywood e acabou em Criclewood) para Kilburn e ouviu duas brasileiras conversando animadamente. Como boas brasileiras, elas estavam falando de alguém. As caridosas almas estavam ate compadecidas com uma amiga que estava passando por uma situação difícil. Estavam encontrando uma maneira de aconselhar a tal amiga e de diagnosticar o seu problema. Uma delas, no alto de sua sabedoria goiana ou mineira disse: O problema da Fulana é que ela tem uma baixa-estima muito alta.

Gente, essa frase é de um significado filosófico sem precedentes. Faz muito sentido. Ora, se existe a auto-estima, deve com certeza existir a alto-estima e, por gravidade, a baixa-estima. Eu fiquei encantado com esse conceito. Depois dessa revelação, eu não tenho auto-estima, mas alta-estima e baixa-estima. E viva a estima!

Outro episódio interessante de conversas alheias foi uma que eu testemunhei ha algum tempo. O que eu presenciei foi um brasileiro escutando uma conversa alheia de outros brasileiros e no final ainda dando seu parecer. Eu tive que descer do metro para rir, pois não consegui manter minha indiferença pré-fabricada de influencia inglesa.

Estava eu alegre e serelepe (não necessariamente nessa ordem) no metro indo de algum lugar para um outro lugar. De repente entram dois entes tupiniquins já engajados em conversações edificantes. Era um casal (boy and girl). Eles sentaram e começaram uma conversação de cunho intelectual avançadíssimo. Como perguntaria uma amiga: com que palavras? Aqui vai:

Boy- Por que ce num dá mim?
Girl- Ta maluco. O Fulano me mata. Ele é macho pra C_ _ _ _ _ _, viu!
B- Dá pra mim vai? Pergunta pra Fulana. Eu sou bom de cama pra C_ _ _ _ _ _.
G – A Fulana já deu proce?
B- Varias vezes.
G- E ela com aquela casa de santa.
B- Dá pra mim vai.
G- Para com isso. Não dou e pronto.
B- Dá pra min vai.
G- Para senão eu conto pro fulano.
B- Conta nada. Vc ta louca pra dar pra mim que eu sei.
G- Num to não.
B- Ta sim. Dá pra mim vai! (ele com uma cara de filhote que quer mamar e já pegando no cabelo dela)
G- Para com isso! (foi um para com isso com sotaque de to quase dando)
B- Então vc vai dar pra mim, num vai?
G- Não sei.
B- Dá aí pra mim vai.


O metro para em uma estação. O sujeito que estava sentado à frente do casal levanta-se e dirige-se a porta de saida. Antes de sair, grita:

Para de fazer tipo e dá logo pra ele que ta na cara que tu ta querendo.

Gente, eu não consegui segurar a gargalhada e corro para fora do trem. Como queria ter acompanhado a reação deles! Mas ainda bem que consigo pegar a porta aberta. Imagina a situação! Já pensou se o cara me convida para a brincadeira?

Que vexame, não? O pior é que eu já passei por situação semelhante. Obviamente que o teor da minha conversa era muito mais erudito.

Bom, estávamos eu e minha amiga AP do Recife no metro, voltando de um passeio inspirador por Tower Bridge, quando engatamos uma conversação profunda sobre futuro, aspirações e objetivos a curto, médio e longo prazos. Isso foi na minha primeira encarnação em Londres. AP falava sobre os elementos na natureza e sobre a ultima teoria metafísica da criação do universo. E eu falava animadamente que queria fazer isso e aquilo e alcançar aquilo outro. De repente o metro para e a garota que estava do lado se dirige a porta. Antes de sair, fala: Boa sorte pra vcs!

Ficamos eu e AP tentando lembrar se havíamos falado alguma coisa má sobre ela ou se falamos alguma coisa que abonaria nossa reputação. Nessa altura do campeonato, pimenta no c_ é refresco!

Vocês devem estar lembrando de inúmeras situações que também já presenciaram ou passaram, não é mesmo? Dá pra mim, vai! Quero por no blog.

Abração.

Nelson

PS: Pessoal, não sei bem como chamar esse post. Vocês preferem Conversa Alheia ou Dá Pra mim? De repente posso fugir de um processo se escolher o segundo. ;))

Monday, 14 April 2008

Plantao do Blog!


Essa eh a cara da primavera Londrina. Ja dizia a poeta: Nao eh brinquedo nao! Cada floco de neve eh um flash!

N

Wednesday, 9 April 2008

Enchendo a Rabeta de Pina Colada


Pessoal, chega de falar de doença !!!!

Eu queria então contar uma historia que aconteceu Setembro do ano passado quando fui a Berlin com minha amiga LM. Eu e LM fizemos um pacto de sangue. Todo Setembro (mês do meu aniversário) nós passamos alguns dias em um lugar diferente. Começou em 2006 quando fomos a Stockholm e em 2007 fomos a Berlin. Por enquanto nosso universo de abrangência é a Europa. Gente, não pensem que to querendo me mostrar. É que eu moro em Londres, neh. Se eu morasse ainda em Fortaleza, nao seria Stockholm ou Berlin mas Massape ou Piquet Carneiro. Se morasse em São Paulo, seria Itapecerica da Serra ou Pirapozinho. Se morasse no Rio, seria Conceição de Macabu ou Iguaba Grande. É só uma questão de geografia.

Bom, pegamos então um vôo da fome para Berlin. Que cidade fantástica. Gostei tanto que estou até aprendendo Alemão. No dia do meu niver, fomos jantar nesse restaurante Austríaco/Alemão maravilhoso. É no porão da casa que morou Bertolt Brecht (manda email que eu dou as coordenadas). Comida maravilhosa. Obviamente que tomamos cerveja, vinho, um licor no final para arrematar. Já saímos pra lá de tipsy.

Esticamos para um bar que tentamos ir as duas noites anteriores mas não achamos o lugar. Acho que fica em uma dimensão paralela que só alguns motoristas de táxi conhecem a passagem. Sorte nossa, encontramos um táxi dessa confraria. Um lugar bem bacana. Chegamos em grande estilo. Por alguma razão desconhecida, o bar inteiro parou para nos ver descer do táxi. Entramos no bar e as pessoas não pararam de olhar pra gente. Nos sentimos como Rodrigo Santoro e Gisele Bundchen (qualquer semelhança é mera coincidência). Sorte nossa, era cocktail night. Pedimos então duas Pinas Coladas para relaxar e entrar nesse clima de pessoas famosas.

Pessoal, vcs não vão acreditar. O garçom trouxe os drinks em um copo que deveria ter pelo menos 1.5 litros. Era um balde de vidro. Foi aí que descobrimos que todos os drinks eram servidos naquele tamanho na Cocktail Night. Como não tivemos opção, enchemos a rabeta de Pina Colada. Resultado: conhecemos metade do bar, dançamos em cima da mesa, ganhamos ingressos para um club. Na hora de ir embora, tentamos pegar um táxi mas os sons que saiam das nossas bocas não eram compreendidos (tentamos Alemão, Inglês, Português, Espanhol e até Tererequistes). Acordamos no outro dia com uma ressaca que vcs nem imaginam. Uma gastura na boca horrível. Prometemos que nunca mais nessa vida tomaríamos Pina Colada. A cota de uma vida já havia se esgotado. Passamos o dia descansando e a noite saímos para um outro bar.

Vale abrir um parêntese aqui. Berlin é uma cidade em efervescência e ainda em fase de reestruturação. É notório como a cidade ainda está se adaptando a era pós-muro. Você nota isso claramente quando conversa com as pessoas e até mesmo pela geografia da cidade. Uma conseqüência interessante dessa adaptação é a necessidade e/ou obrigação das pessoas de serem criativas, modernas, cosmopolitas e vanguarda. Vê-se isso claramente no conceito de muitos bares, restaurantes e áreas de lazer de Berlin. Quase todos têm algo único, inusitado ou temático. Alguns deles juntam tudo isso em um pacote só e se torna bizarro e, muitas vezes, interessante. Por exemplo, entre o rio e um bom pedaço que ainda existe do muro, ha uma praia artificial, com areia, coqueiros, quadras de vôlei, cadeiras de bronzear, chuveiro, e tudo que se tem direito. É claramente uma instalação para não turistas, já que não consta (que eu saiba) em guias e que não tem nem mesmo placa na entrada. Não há nem mesmo entrada. É um portão de ferro enferrujado, que vc tem meio que empurrar com forca. Nós encontramos sem querer. Queríamos ter a sensação de alguém que estaria do outro lado do muro. Tentamos passar bem rapidinho achando que era proibido. Foi realmente como entrar em uma dimensão paralela. Essa é a melhor descrição de Berlin. Uma cidade com portais para varias dimensões paralelas.

O fato é que Belin é umas das cidades mais interessantes da Europa. Mas claro para quem vai com olhos de explorador e curioso. Se sua praia é fazer compras, tirar zilhoes de fotos só para mostrar aos amigos, reclamar da comida dizendo que sente falta de baião-de-dois e passar a viagem dizendo que a cidade que você mora é ainda o melhor lugar do mundo, não vá. Vá pra Paris levar porrada de Francês e comprar perfume falsificado que o que tu mereces......... Desculpa gente, acho que me empolguei.....

Voltando ao assunto, o bar que fomos na noite seguinte segue a linha criativa over-the-top. Pela fachada, vc pensa que é um jazz bar já que tem uma silhueta de um homem com um saxofone. Vc entra e a coisa fica multi estilosa. Tem um bar que é uma pedra com água escorrendo e um papel de parede com arvores estampadas. Do outro lado tem uma parede com um tema marinho e luminárias em forma de golfinhos, lulas (não o presidente) e tubarões. E o fundo do bar é bem psicodélico, com luz negra, néon e mesas de vidro iluminadas. Uma experiência rica aos sentidos. Todos os sentidos mesmo, já que as cadeiras do bar vibram.

Advinha o que tomamos nesse bar...................…….Pina Colada.

Abracao,

N

Wednesday, 2 April 2008

To wear or not to wear……

Pessoal, eu tenho que contar essa. Como vocês sabem (se não sabem leiam meu blog mais frequentemente), eu fui ao medico outro dia por causa do meu pé. Pois bem, fui fazer hoje um exame de sangue. Chego no posto de saúde e faço o check-in para o exame. Espero pouco, cerca de 15 minutos. Uma pessoa que, aparentemente, era um homem (como vcs bem sabem, em Londres o gênero não é obvio pela aparência física) chama meu nome. Entro, pouso minha mochila e casaco em qualquer lugar e sento-me. Imaginei que podia pousar meus pertences na cama que se encontrava no canto pois era a única superfície livre. Vale salientar que nem um bom dia recebi. Ele nem pediu para eu tirar o jumper, mas eu fui logo tirando. Eu imagino que ele iria tirar meu sangue por cima do jumper se eu não tirasse.

Bom, ele começa a manipular os instrumentos. Percebi que ele não usava luvas. Quando estava prestes a me furar perguntei pelas luvas. Ele então falou que não era necessário. Não era necessário? Eu então falei que como ele manipulava sangue era necessário sim. Para segurança tanto do paciente quanto do profissional de saúde. Ele ficou olhando para mim sem falar nada por alguns segundos e falou: Are you ready or not?

Gente, eu não acreditei. Falei que não estava e que não iria tirar sangue com ele. Olhando atenciosamente os detalhes, eu notei que ele não podia usar luvas. Ele tinha umas unhas enormes. Desculpe a franqueza, eram grandes e sujas. Eu quase pulo pela janela. Mas fiz meu alarde e consegui alguém com unhas limpas e usando luvas para tirar meu sangue (é azul viu).

Fiquei então pensando sobre o sistema de saúde publica do Reino Unido e o do Gigante Pela Própria Natureza. É difícil comparar pois são duas situações diferentes, economicamente, historicamente e culturalmente. Obviamente que a saúde publica do Florão da América deixa bastante a desejar. Há esses episódios aqui mas a coisa funciona. No final, você tem o atendimento que precisa. Mas o ponto que mais me impressiona, é a relação que eles tem com a higiene em geral. Banheiros com carpet, baciazinha na pia para lavar a louca, atendente que tira sangue sem luvas, campanha no metro pedindo as pessoas para não dar descarga se é só um xixizinho. Sem duvida é cultural.

Eles têm essas coizinhas, mas não tem baratas, epidemia de dengue, esgotos a céu aberto, pobreza absoluta. Talvez por isso que os padrões de higiene e exigência sejam diferentes e talvez por isso os mais privilegiados do Impávido Colosso, que tem acesso a um plano de saúde ou podem pagar por atendimento privado, tem um padrão tão alto de higiene comparados aos daqui. Sem duvida vivemos os extremos, mas sempre deitados em Berço Esplendido. O Ipiranga não tem mais as margens plácidas com certeza.

Bom gente, como não sei nada sobre saúde publica, esses foram só alguns pensamentos. Não quero me aprofundar pois não tenho embasamento para isso. Só queria mesmo dividir com vcs essa historia e minhas impressões. Agora, eu digo uma coisa, vocês perderam a cena de indignação que fiz na clinica. Saí com a alma lavada e enxaguada. Eu, um latino americano, sem parentes importantes e vindo do interior, dando aula de higiene básica aos filhotes do imperialismo inglês. Arrebentei!

Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!


Abraço

Nelson