Pages

Sunday, 20 April 2008

Conversa Alheia

Pessoal, a minha amiga AP do Rio (ela de novo!) escreveu em seu blog um post maravilhoso sobre a conversa alheia (http://www.queroserjoycepascowitch.blogspot.com/). Deu-me então inspiração para esse post, que eu também vou chamá-lo de Conversa Alheia. Tomara que ela não me leve à justiça por plágio. AP, vou logo avisando que vou contratar a advogada do Paul McCartney e o PR dos McCann. A advogada encara qualquer Heather Mills e o PR vai me fazer ser canonizado (para os que não sabem do que estou falando, essas são figurinhas das noticias do submundo inglês).

Depois de ler o post da AP, fiquei pensando sobre as varias situações que ouvi falar, presenciei e/ou participei.

Umas das mais engraçadas, e que virou parte da minha lista de expressões, foi a contada pelo meu amigo AC. Estava ele no ônibus de Criclewood (ele saiu do Rio a procura de Hollywood e acabou em Criclewood) para Kilburn e ouviu duas brasileiras conversando animadamente. Como boas brasileiras, elas estavam falando de alguém. As caridosas almas estavam ate compadecidas com uma amiga que estava passando por uma situação difícil. Estavam encontrando uma maneira de aconselhar a tal amiga e de diagnosticar o seu problema. Uma delas, no alto de sua sabedoria goiana ou mineira disse: O problema da Fulana é que ela tem uma baixa-estima muito alta.

Gente, essa frase é de um significado filosófico sem precedentes. Faz muito sentido. Ora, se existe a auto-estima, deve com certeza existir a alto-estima e, por gravidade, a baixa-estima. Eu fiquei encantado com esse conceito. Depois dessa revelação, eu não tenho auto-estima, mas alta-estima e baixa-estima. E viva a estima!

Outro episódio interessante de conversas alheias foi uma que eu testemunhei ha algum tempo. O que eu presenciei foi um brasileiro escutando uma conversa alheia de outros brasileiros e no final ainda dando seu parecer. Eu tive que descer do metro para rir, pois não consegui manter minha indiferença pré-fabricada de influencia inglesa.

Estava eu alegre e serelepe (não necessariamente nessa ordem) no metro indo de algum lugar para um outro lugar. De repente entram dois entes tupiniquins já engajados em conversações edificantes. Era um casal (boy and girl). Eles sentaram e começaram uma conversação de cunho intelectual avançadíssimo. Como perguntaria uma amiga: com que palavras? Aqui vai:

Boy- Por que ce num dá mim?
Girl- Ta maluco. O Fulano me mata. Ele é macho pra C_ _ _ _ _ _, viu!
B- Dá pra mim vai? Pergunta pra Fulana. Eu sou bom de cama pra C_ _ _ _ _ _.
G – A Fulana já deu proce?
B- Varias vezes.
G- E ela com aquela casa de santa.
B- Dá pra mim vai.
G- Para com isso. Não dou e pronto.
B- Dá pra min vai.
G- Para senão eu conto pro fulano.
B- Conta nada. Vc ta louca pra dar pra mim que eu sei.
G- Num to não.
B- Ta sim. Dá pra mim vai! (ele com uma cara de filhote que quer mamar e já pegando no cabelo dela)
G- Para com isso! (foi um para com isso com sotaque de to quase dando)
B- Então vc vai dar pra mim, num vai?
G- Não sei.
B- Dá aí pra mim vai.


O metro para em uma estação. O sujeito que estava sentado à frente do casal levanta-se e dirige-se a porta de saida. Antes de sair, grita:

Para de fazer tipo e dá logo pra ele que ta na cara que tu ta querendo.

Gente, eu não consegui segurar a gargalhada e corro para fora do trem. Como queria ter acompanhado a reação deles! Mas ainda bem que consigo pegar a porta aberta. Imagina a situação! Já pensou se o cara me convida para a brincadeira?

Que vexame, não? O pior é que eu já passei por situação semelhante. Obviamente que o teor da minha conversa era muito mais erudito.

Bom, estávamos eu e minha amiga AP do Recife no metro, voltando de um passeio inspirador por Tower Bridge, quando engatamos uma conversação profunda sobre futuro, aspirações e objetivos a curto, médio e longo prazos. Isso foi na minha primeira encarnação em Londres. AP falava sobre os elementos na natureza e sobre a ultima teoria metafísica da criação do universo. E eu falava animadamente que queria fazer isso e aquilo e alcançar aquilo outro. De repente o metro para e a garota que estava do lado se dirige a porta. Antes de sair, fala: Boa sorte pra vcs!

Ficamos eu e AP tentando lembrar se havíamos falado alguma coisa má sobre ela ou se falamos alguma coisa que abonaria nossa reputação. Nessa altura do campeonato, pimenta no c_ é refresco!

Vocês devem estar lembrando de inúmeras situações que também já presenciaram ou passaram, não é mesmo? Dá pra mim, vai! Quero por no blog.

Abração.

Nelson

PS: Pessoal, não sei bem como chamar esse post. Vocês preferem Conversa Alheia ou Dá Pra mim? De repente posso fugir de um processo se escolher o segundo. ;))

5 comments:

maria odila said...

Oi Nelsinho, tava aqui como quem nao quer nada e com o meu dedo nervoso, clicando e vendo videos ne internet o dia inteiro ate que vi que vc colocou post novo! Que beleza! Menino, so naum do proce pq ja sou casada mas situacoes engracadas nessa vida de Londres eh o que nao falta, como quando MO ouviu 2 portugueses no onibus dizendo que iam comprar roupas na "Joao Luis" !!! Ve se pode! Beijo Tathi

Ana Paula Cardoso said...

Ai, Nelsinho, não vejo a hora de sua amiga AP do Rio perambular contigo pelas ruas londrinas. A sua amiga AP do Rio não vai processá-lo por direitos autorais, pelo menos enquanto ela estiver inspirando vc a escrever estas postagens d-e-l-i-c-i-o-s-a-s!!!!!!

Nortpool said...
This comment has been removed by the author.
Nortpool said...

Nelsinho,
Seu blog ja entou na minha rotina. Vc está se superando a cada vez. Keep posting.
Abçs,
Nort

Lavínea said...

Nelsinho,
Sempre vejo vc deixar comentários no blog da Paula e resolvi ler esse seu post.
Putzgrila, muito engraçado!!!
Acho que fora dos seus países as pessoas se liberam tanto pra falar da própria vida quanto pra se meter nas alheias.
Quanto ao título, Dá Pra Mim é hilário!!
Hahaha!
Beijos