Pages

Wednesday, 2 April 2008

To wear or not to wear……

Pessoal, eu tenho que contar essa. Como vocês sabem (se não sabem leiam meu blog mais frequentemente), eu fui ao medico outro dia por causa do meu pé. Pois bem, fui fazer hoje um exame de sangue. Chego no posto de saúde e faço o check-in para o exame. Espero pouco, cerca de 15 minutos. Uma pessoa que, aparentemente, era um homem (como vcs bem sabem, em Londres o gênero não é obvio pela aparência física) chama meu nome. Entro, pouso minha mochila e casaco em qualquer lugar e sento-me. Imaginei que podia pousar meus pertences na cama que se encontrava no canto pois era a única superfície livre. Vale salientar que nem um bom dia recebi. Ele nem pediu para eu tirar o jumper, mas eu fui logo tirando. Eu imagino que ele iria tirar meu sangue por cima do jumper se eu não tirasse.

Bom, ele começa a manipular os instrumentos. Percebi que ele não usava luvas. Quando estava prestes a me furar perguntei pelas luvas. Ele então falou que não era necessário. Não era necessário? Eu então falei que como ele manipulava sangue era necessário sim. Para segurança tanto do paciente quanto do profissional de saúde. Ele ficou olhando para mim sem falar nada por alguns segundos e falou: Are you ready or not?

Gente, eu não acreditei. Falei que não estava e que não iria tirar sangue com ele. Olhando atenciosamente os detalhes, eu notei que ele não podia usar luvas. Ele tinha umas unhas enormes. Desculpe a franqueza, eram grandes e sujas. Eu quase pulo pela janela. Mas fiz meu alarde e consegui alguém com unhas limpas e usando luvas para tirar meu sangue (é azul viu).

Fiquei então pensando sobre o sistema de saúde publica do Reino Unido e o do Gigante Pela Própria Natureza. É difícil comparar pois são duas situações diferentes, economicamente, historicamente e culturalmente. Obviamente que a saúde publica do Florão da América deixa bastante a desejar. Há esses episódios aqui mas a coisa funciona. No final, você tem o atendimento que precisa. Mas o ponto que mais me impressiona, é a relação que eles tem com a higiene em geral. Banheiros com carpet, baciazinha na pia para lavar a louca, atendente que tira sangue sem luvas, campanha no metro pedindo as pessoas para não dar descarga se é só um xixizinho. Sem duvida é cultural.

Eles têm essas coizinhas, mas não tem baratas, epidemia de dengue, esgotos a céu aberto, pobreza absoluta. Talvez por isso que os padrões de higiene e exigência sejam diferentes e talvez por isso os mais privilegiados do Impávido Colosso, que tem acesso a um plano de saúde ou podem pagar por atendimento privado, tem um padrão tão alto de higiene comparados aos daqui. Sem duvida vivemos os extremos, mas sempre deitados em Berço Esplendido. O Ipiranga não tem mais as margens plácidas com certeza.

Bom gente, como não sei nada sobre saúde publica, esses foram só alguns pensamentos. Não quero me aprofundar pois não tenho embasamento para isso. Só queria mesmo dividir com vcs essa historia e minhas impressões. Agora, eu digo uma coisa, vocês perderam a cena de indignação que fiz na clinica. Saí com a alma lavada e enxaguada. Eu, um latino americano, sem parentes importantes e vindo do interior, dando aula de higiene básica aos filhotes do imperialismo inglês. Arrebentei!

Do que a terra, mais garrida,
Teus risonhos, lindos campos têm mais flores;
"Nossos bosques têm mais vida",
"Nossa vida" no teu seio "mais amores."
Ó Pátria amada,
Idolatrada,
Salve! Salve!


Abraço

Nelson

3 comments:

Fernanda said...

Estou chocada - sem luva foi o fim.
Nunca passei por isso, gracas a Deus.
Essas coisas so acontecem com vc - vc precisa contar como foi a briga pra conseguir outro(a) enfermeiro(a), to curiosissima!!!
bjss

Ana Paula Cardoso said...

Bem, ao menos a agulha era descartável?

Luisa said...

Eu imagino a cena d eindignação que vc fez!!!! Diga-se de passagem, merecida!!!!! beijão