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Friday, 24 October 2008

Credit Crunch


Pessoal, não posso deixar a crise passar (se ela passar) sem um post sobre a dita cuja. Como todos sabem (se não sabe, ta bom de ler mais) o mundo nas ultimas semanas esteve as margens de um colapso que levou vários governos a injetarem bilhões de dólares em suas economias. O objetivo foi impedir que bancos entrem no buraco. Ora, não sou economista, mas tenho bom senso suficiente pra saber que as medidas foram acertadas e necessárias. Se um banco vai ao buraco, ele pode levar um pais inteiro e, a tiracolo, nós pobres mortais. Infelizmente estamos compulsoriamente engatados nessa mecânica. Justo ou não, é assim que o mundo está configurado. Como diria a fora-de-moda teoria do chaos, uma borboleta batendo asas em Kuala Lumpur, gera um tornado na Serra da Meruoca. Nessa onda, os governos ditos emergentes também querem se enquadrar. Na Lulalandia, uma medida provisória que autoriza o presidente a estatizar bancos e instituições financeiras será o meio de enquadramento. Muito justo. Afinal o Impávido Colosso é uma estrela em ascensão. Já tivemos CPI das privatizações, espero que nunca tenhamos uma das estatizações.

Essa introdução introdutória foi somente para dar um pano de fundo (ou no fundo) a esse post. Aqui em Elizabetilandia, não se fala outra coisa que não seja crise. Para os desinformados, a crise aqui se chama Credit Crunch. Até logomarca criaram! Já se pode comprar camisetas, adesivos e estão até pensado em registrar a marca. O fato é que o Credit Crunch está nos jornais todos os dias. Supermercados já usam o Credit Crunch em propagandas na TV, lojas de celulares já oferecem descontos e promoções baseados no Credit Crunch e as pessoas já culpam o Credit Chunch por terem acabado o namoro ou pela ressaca do pos-festa. Hoje li que o governo vai acrescentar novas medidas para a venda de cerveja nos pubs. Como os mais viajados sabem, pode-se comprar 1 Pint ou 1/2 Pint de cerveja. Logo logo, alem dessas medidas, vai-se poder comprar 1/3 ou 1/4. Não vou me surpreender se os pubs oferecerem uma dose de cerveja.......É a cultura do Credit Crunch. É uma espécie de histeria coletiva. A crise acaba se tornado pior do que realmente ela é devido ao humor das pessoas. Acho até que as bolsas deveriam contratar psicólogos.

Nesse contexto, ha aqueles que usam e abusam da criatividade. Outro dia fui comprar um sushi para almoçar e me deparei com vários tipos de sush sets. Tinha o De-luxe, o Jumbo, o Basics e o Credit Crunch. Eu não acreditei. Advinha o que as pessoas estavam comprando? O fato é que em tempos de Credit Crunch o senso da oportunidade econômica se junta à criatividade e a habilidade do inglês em fazer humor negro, e temos o Credit Chruch comestível. Na verdade isso não é novo. Eu lembro que havia uma sorveteria na Luzianelandia chamada Ice Kid (Se duvidar ainda existe) que tinha um sundae chamado Crise. Eu só pedia esse! Acho que era uma identificação. ;)

Muito cá entre nós, criatividade em tempo de crise é algo bem brasileiro, não é mesmo! Nós bem sabemos disso. Esses Ingleses estão a nos copiar em tudo. Lendo os jornais você comprova isso descaradamente. Os jornais daqui só falam em inflação, aumento da violência, desemprego e crise. Pra que mais brasileiro que tudo isso. Por isso a imigração esta ficando mais rigorosa. Eles já roubaram as nossas idéias agora não precisam mas da gente.....

Abracao

Nelson

Friday, 10 October 2008

Made in Ceara


Como vcs sabem, passei 3 semanas no Ceara. Pena que não tive tempo para visitar o Brasil dessa vez. Fiquei só no Ceara mesmo. Apesar disso, eu tenho que falar uma coisa pra vocês. Foram uma das minhas melhores ferias. Não sei se foi pelo fato de fazer um bom tempo que não ia a Fortaleza. Talvez tenha até contribuído. Mas o que fez minha viagem a Istaleza (é assim que alguns nativos pronunciam) ser única foi o meu espírito, a minha energia e a minha receptividade. Como muitos sabem, eu tinha um bloqueio com ‘Furtaleza’ devido a minha historia e minha vida naquela localidade. Saí de lá com varias questões a resolver e a certeza de isso não seria possível. Against all odds, todas as questões foram resolvidas. Essa viagem a Fortal foi uma retomada de um tempo perdido. Foi o esquecimento de antigas magoas. Foi a retomada de uma historia perdida. Acredite, foi esse o balanço final.

Deixando o sentimental-dramatico-barato de lado, Fortaleza (acredito que toda cidade brasileira) tem suas peculiaridades. Essas peculiaridades refletem muito intimamente traços da cultura local. Cultura essa formada por varias manifestações, sejam elas artísticas ou mundanas.

No lado artístico temos o grande Teatro Jose de Alencar, o folclore, a musica, a poesia, o Centro Cultural Dragão do Mar entre outras manifestações. No lado mundano, temos a vocação nata do cearense de fazer humor (mesmo quando a situação não pede ou é inapropriada), a palavra 'macho' que esta na boca de 11 em cada 10 cearenses (os cearenses tem um macho na boca), as vais no meio da rua pra tirar sarro com os outros, os buzinacos dos carros (meu povo, é muuuuuuuuuita buzina) e principalmente a uniformidade dos trajes dos nativos (a mulherada anda de farda: mesmo tipo de sapatos, calcas, cintos e bolsas).

Falando nisso, eu estava escrevendo esse post quando recebi um email do meu grande e querido amigo PC. Para quem não sabe, PC foi meu chefe no meu primeiro emprego de verdade. Aprendi muito com PC. Aprendi a ter respeito pelas pessoas e agir eticamente e profissionalmente. PC é um Novo Baiano, apesar de ter nascido na Bahia. Depois escrevo um post sobre isso. Como o email de PC reflete todo esse espírito ceanrensista desse post, vou encerrar por aqui com esse text maravilhoso, poético e erudito que só um cearense terá capacidade de entender plenamente.

Abraços.

Nelson

Sou do Ceará.

Ricardo Gondim.

'Ser do Ceará é mais do que nascer no Ceará, é conseguir
reconhecer, à distância, uma cabecinha redonda, um sotaque cantado, uma
orelha de abano, um jeito maroto de encarar a vida.

Ser do Ceará é saber a estação certa de colher um sapoti,
conhecer os vários tipos de manga e nunca comprar ata verde demais; é
dar sabor a um baião de dois com queijo coalho.

Ser do Ceará é gostar de cocada, de suco de tamarindo, de
sirigüela vermelha, de água de coco docinha.

Ser do Ceará é engolir o final dos diminutivos -
cafezinho vira cafezim; (Nelsinho vira nelsim)

Antônio vira Toim; bonzinho vira bonzim. Lá se fala
aperreio na hora do sufoco; o apressado é avexado; o triste fica de lundu;
quem cria problemas, bota boneco.

Ser do Ceará é morar onde os muros são baixos; quer
dizer, lá todo mundo sabe dos outros. A melhor conversa entre cearense é
fofocar sobre a vida alheia. Aparecer em coluna social é o máximo; os que
pertencem a uma família com pedigree, fazem parte dos eleitos. Os
Studarts, os Frotas, os Távoras, os Jeiressatis são considerados o supra-sumo.

No Ceará não se compra casa do lado do sol; isto é, ninguém valoriza uma
propriedade com a frente voltada para o poente. O sol não perdoa; é
inclemente, ardido, feroz, cansativo. Lá quem não souber lidar com o astro
rei, não dura muito tempo. Entre dez da manhã e cinco da tarde, o sol
deixa todo mundo melado; não existem peles secas no Ceará, todas são
oleosas.

Ser do Ceará é aprender a dormir de rede, a gostar do cheiro de lençol
limpo, a tomar banho frio, a valorizar a brisa do mar. Lá o perfume de
sabonete tem outro valor. No Ceará as mulheres não usam meias finas, os
homens não toleram gravatas e as crianças não sabem o que é uma blusa de
lã.

Ser do Ceará é ter orgulho de afirmar que pertence à terra de José de
Alencar, Patativa do Assaré, Fagner, Eleazar de Carvalho, Clóvis
Bevilácqua. Lá amam-se as artes; cria-se repente com facilidade,
conversa-se com rima.

Ser do Ceará é lidar com umidade, com camisas molhadas de suor, com mofo,
com muriçocas impertinentes, com baratas
avantajadas, com viroses, com desidratações súbitas. Lá os fracos
morrem rapidamente; o darwinismo com sua teoria da sobrevivência dos mais
fortes se prova com facilidade. No Ceará nuvens negras são prenúncio de
bom tempo e relâmpago, uma bênção. Em dia chuvoso ninguém gosta de sair de
casa.

Ser do Ceará é rir por tudo. E tudo vira piada; lá sobra humor até para
vaiar o sol quando interrompe a chuva.

Os cearenses são antes de tudo uns fortes; ao mesmo tempo
deliciosamente bons e perversamente maus. Lá é terra de pistoleiro e de
santo; de revolucionário e de coronel caudilho; de guerreiro e de
preguiçoso.

Sou cearense. E por mais que tenha tentado, não consegui apagar o meu amor
por esse chão que me acolheu no mundo. Lá nasci, casei e tive filhos.

No Ceará despertei para o mundo e infelizmente, sepultei o restim de
esperança que nutria pela humanidade. O Ceará foi o meu ninho e é o meu
túmulo; maior alegria e pior desgraça.

Contudo, apesar de tudo, continuo enamorado do meu berço. Não consigo
desvencilhar-me de ti, loira desposada do sol.'

OH NEGRADA, PASSEM PROS CEARENSES QUE VCS CONHECEM ...